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Vacina brasileira contra a Aids será testada em macacos

Publicado em 13 agosto 2013

SÃO PAULO. Uma vacina brasileira contra o vírus HN, causador da Aids, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano, informou ontem uma nota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Com duração prevista de 24 meses, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos.

A atual etapa do teste pré-clínico vai ser feita em uma colônia de macacos rhesus mantida pelo Instituto Butantan. A vantagem de fazer os testes, segundo a Agência Fapesp, é a similaridade entre o sistema imunológico humano e o dos macacos, e o fato de eles serem suscetíveis ao vírus SN, que deu origem ao HN.

Os cientistas avaliam que, no atual estágio de desenvolvimento, a vacina não deve eliminar totalmente o HN do organismo, mas poderia manter a carga dos vírus reduzida ao ponto de um infectado não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.

A vacina também pode vir a ser usada para fortalecer o efeito de outras contra a Aids, como uma que está sendo desenvolvida por cientistas da Universidade Rockfeller, em Nova York, nos Estados Unidos, criada com uma proteína do vírus chamada gp140, aponta a Agência Fapesp.

PATENTE.

Denominado HNBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Atualmente, o projeto é conduzido no âmbito do Instituto de Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) , apoiado pela Fapesp no Estado de São Paulo.

“Em um experimento conduzido pela pesquisadora Daniela Rosa, observamos que a pré-imunização com a HNBr18 melhora a resposta à vacina feita com a proteína recombinante do envelope do HIV gp140, que é a responsável pela entrada do vírus nas células”, disse Cunha Neto à Fapesp. O atual trabalho começou em 2001, sob sua coordenação. Foi analisado o sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que.mantinham o HN sob controle por mais tempo e demoravam para adoecer. Os resultados foram divulgados em 2006, na revista “Aids”, e em 2010, na “PLoSOne”.

“Fizemos o experimento com quatro grupos de camundongos. Cada um expressava um tipo diferente da molécula HLA(siglada expressão em inglês para Antígenos Leucocitários Humanos), que está diretamente envolvidacom o re-. conhecimento do vírus”,disse.

O grupo então desenvolveu uma nova versão da vacina com elementos conservados de todos os subtipos do HN do grupo principal, chamado grupo M, que mostrou- se capaz de induzir respostas imunes contra fragmentos de todos os subtipos testados até o momento.

Em camundongos, imunização mostrou bons resultados

Nos camundongos imunizados com a vacina, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle.Agora estão sendo realizados experimentos para descobrir se, de fato, a destruição viral aconteceu por causa da ativação das célulasTCD4 tóxicas.

”Vamos imunizar um camundongo e injetar o vírus modificado. Em seguida, separaremos os linfócitos produzidos e injetaremos em um segundo animal apenas as célulasTCD4.Um terceiro animal receberá apenas as células TCD8.Depois,esses dois animais que receberamos linfócitos como vírus modificado serão infectados- e um terceiro receberá apenas placebo – para poder ver qual organismo é capaz de combater melhor o vírus”, explicou o cientista Edecio Cunha Neto à Fapesp.

“Uma única vacina poderia ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes. “