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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Vacina americana será testada em animais brasileiros

Publicado em 05 dezembro 2008

Doença atinge igualmente animais errantes e cães domésticos; são 400 sacrifícios por mês

Araçatuba - Uma vacina importada dos Estados Unidos, que combate a leishmaniose canina, será testada no Brasil. O anúncio será feito hoje, durante um encontro entre o presidente da Fundação Butantan, Isaías Raw, e o pesquisador Steven Reed, do IRDI (Infectology Disease Research Institute), em Seattle (EUA).

O cientista americano possui uma vasta experiência no combate às doenças infecciosas. A reunião será realizada no Instituto Butantan, em São Paulo, às 11h.

Os ensaios clínicos serão feitos com a combinação de duas vacinas e outros coadjuvantes, no Instituto. O período de testagem será necessário para responder algumas perguntas do Ministério da Agricultura como, por exemplo, quantas doses da vacina serão necessárias para imunizar cada cão; por quanto tempo a vacina será ativa e qual a forma mais econômica de produzi-la, levando em conta o universo a ser vacinado.

Caso os ensaios sejam aprovados, as doses da vacina deverão ser produzidas em uma nova fábrica que será construída pelo Instituto Butantan, com investimentos de cerca de R$ 5 milhões.

A iniciativa tem apoio financeiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do programa Fapesp - SUS (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Sistema Único de Saúde).

A fabricação brasileira da vacina tem por objetivo vacinar, primeiramente, cerca de 30 milhões de cães durante a campanha anual de vacinação contra a Raiva.

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Butantan, os EUA já utilizam essa vacina e que a pesquisa será realizada no Brasil “para entendermos a tecnologia e suas composições”. Não é viável para o governo brasileiro importar as doses, devido ao seu alto custo.

Eficaz

O diretor do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Araçatuba, Adilson Morgado, aprovou a iniciativa do governo, por meio do Instituto Butantan - órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em realizar ensaios clínicos com a vacina importada.

"Ainda mais com a chancela de quem o apóia. É preciso tomar uma medida altamente eficaz sobre o procedimento", disse.

Morgado explica que, no Brasil, há vacinas que previnem a leishmaniose, mas as doses são muito caras. O animal deve receber três doses da vacina para ser imunizado contra a doença. Os laboratórios, segundo o diretor, prescrevem um intervalo de 20 dias entre cada dose. “Se for vacinar o animal sadio contra a doença, o brasileiro vai gastar mais de R$ 200, já que cada dose equivale a R$ 70 e são utilizadas três para a imunização”, explicou.

Com uma distribuição gratuita da vacina contra a leishmaniose, caso o medicamento americano seja aprovado no Brasil, o diretor espera uma diminuição no número de sacrifícios de cães em Araçatuba, que hoje chega a 400 por mês. A população canina em Araçatuba é estimada de 30 mil animais.

Em 2007, a cidade foi campeã no ranking de mortes de seres humanos por leishmaniose no Estado de São Paulo, com 42% do total das ocorrências. Segundo dados do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) da Secretaria de Estado da Saúde, de janeiro a 1.º de dezembro do ano passado, seis pessoas morreram em virtude da doença na cidade.

Neste ano, foram registrados 18 casos de leishmaniose visceral americana humana e uma morte.

A doença é transmitida pelo mosquito palha, também conhecido como birigüi. O inseto pica animais infectados e transmite o protozoário aos humanos também pela picada. Nos animais, os sintomas da doença são queda de pelos, emagrecimento e crescimento das unhas; no ser humano, a doença causa febre, vômitos e sangramento na boca e no ânus.