Notícia

Gazeta Mercantil

Vaca light produz leite com menos gordura

Publicado em 28 junho 2000

Por Thaís Herdy - Juiz de Fora
Após sete meses de pesquisa, o Centro Nacional de Pesquisa do Gado de Leite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (CNP-GL/Embrapa). localizado em Juiz de Fora (MG), em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), desenvolveu um tipo de leite com 30% menos gordura e 10% a mais de proteína no alimento. Totalmente natural, o leite ligth, como foi batizado, não passa por nenhum processo industrial para adquirir estas características, já sendo produzido assim no próprio organismo da vaca. A partir de estudos norte-americanos, que comprovaram que o ácido linoléico conjugado (CLA), produzido naturalmente no estômago dos ruminantes, é uma substância anti-cancerígena, protege contra o desenvolvimento da diabete e impede a formação de placas de colesterol nas artérias, os pesquisadores resolveram adicioná-lo à alimentação das vacas. Na primeira fase da pesquisa, a substância foi incorporada à alimentação de 32 vacas no Brasil e 20 nos Estados Unidos. Durante 28 dias, 150 gramas da substância foram adicionadas à ração de vacas no período de lactação. Além da redução de gordura - que cai de 3,7% (média brasileira) para 1,2% (percentual inferior aos desnatados) - e o aumento da concentração da proteína no leite, a substância aumenta em 10% a produção leiteira do animal e reduz a freqüente queda que ocorre à medida que o período de lactação progride. Segunda fase - Desenvolvida com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e algumas empresas privadas, as pesquisas absorveram recursos da ordem de US$ 40 mil. O ácido linoléico conjugado foi doado por um laboratório americano para a realização dos estudos. Na segunda fase da pesquisa, que terá início em outubro e deve durar mais seis meses, serão ministradas doses maiores da substância na alimentação das vacas para determinar qual a melhor dosagem que pode ser administrada sem causar efeitos nocivos ao animal e ao leite. Os resultados obtidos até agora serão expostos pelos pesquisadores da Esalq, Dante Pazzanese Lanna e Sérgio Raposo de Medeiros, na reunião da Sociedade Americana de Ciência Animal, nos EUA, em julho, e na Associação Européia de Ciência Animal, na Holanda, em agosto.