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USP vai criar laboratório para produzir dente vivo usando células-tronco

Publicado em 23 julho 2010

A fada do dente, famosa por recolher os dentes de leite debaixo do travesseiro das crianças, pode estar com os dias contados no imaginário infantil. Cientistas brasileiros e britânicos querem usar a polpa desses dentes para remendar a dentição danificada ou até recriá-la.

Estão apostando na ideia a USP e a instituição britânica King"s College. A universidade paulista deve criar, em 2011, um laboratório de células-tronco dentárias na sua Faculdade de Odontologia. A obra custará em torno de R$ 200 mil e deve ficar pronta em meados de 2011. Parte dos equipamentos será financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O laboratório deve abrigar, no futuro, um banco de células-tronco dentárias. Será o primeiro do Brasil e fornecerá células que poderão ser usadas por profissionais de saúde e por pesquisadores.

Ética

A primeira vantagem de usar células-tronco de dente de leite para pesquisa é o acesso fácil. Humanos têm 20 dentes de leite na infância, os quais caem naturalmente. Também não há, em relação a elas, os grandes debates éticos que cercam as versáteis, embora polêmicas, células-tronco embrionárias.

"Além disso, as células dos dentes de leite parecem crescer mais rápido que as de dentes permanentes e podem se diferenciar [se especializar] em células formadoras de dentes, neurônios, de gordura e até de outros tecidos do corpo", conta Andrea Mantesso, dentista da USP e do King"s College que coordena o projeto.

A instalação servirá também para treinar pesquisadores no cultivo, preservação e caracterização de células-tronco dentárias.

Mantesso já está envolvida com formação de cientistas nessa área na USP e no King"s College, de Londres. As instituições hoje realizam cinco projetos em células-tronco dentárias em parceria.

"No próximo ano, começaremos a enviar alunos da USP para Londres. Nossa intenção é estreitar laços", diz. Os trabalhos realizados em conjunto vão desde transplante de tecido embrionário que dá origem à mandíbula no rim de camundongos até o estudo de genes relacionados a células-tronco dentais.

Para quando?

Para a especialista, ainda é cedo para se falar em prazo, mas há quem acredite que em 15 anos a técnica já estará disponível. "A pesquisa nessa área está se disseminando, e um maior numero de pesquisadores envolvidos pode trazer respostas mais rápidas", conclui.