Notícia

Gazeta Mercantil

USP triplica incubadora para novas tecnologias

Publicado em 29 junho 2001

Por Daniel Antiquera - de São Paulo
A Universidade de São Paulo (USP) avança rumo ao mercado. Seu Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) está em crescimento e pode originar um parque tecnológico no entorno do campus. A partir de hoje, o Cietec vai triplicar o número de associados, com o ingresso de 38 empresas, selecionadas entre 118 pretendentes. A área do Cietec também foi multiplicada por três — passando de 1.200 m2 para 3.600 m2. Será lançado edital com 78 vagas para selecionar outros interessados no sistema. Para abrigar os novos projetos, foram investidos aproximadamente R$ 1 milhão, bancados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do governo paulista. Outra novidade é a criação de nova categoria para os projetos: empresas associadas, que já estão no mercado e não precisam do espaço físico da incubadora, mas aproveitam o ambiente de pesquisa do Cietec e a USP para desenvolver inovações. Entre os ingressantes serão 11 associadas. Uma delas é a OPP Petroquímica, que fatura cerca de R$ 4 bilhões ao ano. A nova categoria permitirá aumento de receitas ao centro. As empresas vão pagar R$ 600 mensais no primeiro ano e, R$ 800, no segundo. As demais categorias contribuem, em média, com R$ 400/ mês. São empresas residentes, hotel de projetos e incubadoras de softwares. O custo é pequeno comparado às vantagens. A Endolav, que aprimora aparelhos para desinfetar endoscópios, está a quatro meses no Cietec — apesar de oficialmente ingressar hoje, ela conseguira licença para começar antes os projetos. Nesse tempo, as pesquisas permitiram reduzir os custos de produção em 50%, o tempo de montagem de seis para dois dias, o preço de venda de R$ 12 mil para R$ 9 mil e a capacidade de produção mensal subiu de quatro para quinze unidades. "Se não estivéssemos aqui pesquisando, nunca perceberíamos coisas simples que fazem muita diferença. O peso do aparelho, por exemplo, passou de 45 kg para 25 kg", diz o dono do negócio, Luis Alberto Iba. Aparelhos importados semelhantes custam entre R$ 40 mil e R$ 70 mil. Resultado: eleja tem dez encomendas. Os dois primeiros feitos com a nova tecnologia vão para Maceió e para a Bolívia. Os empreendedores ressaltam também a importância da interação. O produto de Iba conta com software da CZN Engenharia e Informática, outra incubada. O dono da CZN, Edmur Canzian, dá cursos na USP e vai desenvolver um micro-controlador eletrônico para ser usado em biotecnologia. O custo do importado varia entre US 8 mil e U$ 12 mil e o novo produto sairá por cerca de R$ 10 mil. "Mas a grande vantagem é que a assistência técnica vai ser local", diz. A manutenção no exterior pode demorar meses. O gerente do Cietec, Sérgio Risola, diz que o apoio não se restringe ao desenvolvimento de inovações. A consultoria Share Marketing ensina os incubados a fazer planos de negócios, atender a mídia, desenvolver logotipos e preparar exposições. Ele conta que os próximos passos já estão definidos. Foi fechado um acordo com o escritório Amaro, Stuber Advogados e Advogados, que prestará consultoria jurídica em assuntos empresariais durante seis meses, de graça. Risola diz, ainda, que está quase certa a contratação de consultores especializados em relacionamento com investidores. "Nos últimos oito meses, mais de 35 fundos de investimentos procuraram as empresas daqui. O interesse em investir nos projetos é muito grande". O presidente do conselho deliberativo do Cietec. Cláudio Rodrigues, defende a expansão da incubadora para a formação de um parque tecnológico na região. "A ciência deve se tornar interesse da sociedade. A USP concentra 40% da ciência e tecnologia do País, um acervo enorme para as empresas", diz. Ele ainda propõe a utilização dos 15 mil m2 do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares para construir galpões que facilitem a transição das empresas incubadas ao mercado, mantendo-as próximas da universidade.