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Diário da Saúde

USP testará mais de 500 substâncias contra o novo coronavírus

Publicado em 09 junho 2020

Por José Tadeu Arantes | Agência FAPESP

Mais de 500 substâncias bioativas serão testadas para eventual uso no combate ao novo coronavírus, causador da covid-19.

O material é fruto de cinco anos de pesquisa realizada pelo Grupo de Química Medicinal e Biológica, originalmente voltado para o tratamento da doença de Chagas. A possibilidade de que alguma dessas substâncias possa destruir o coronavírus será investigada agora em nova pesquisa.

"Nosso objetivo é encontrar uma substância que seja capaz de inibir a molécula SARS-CoV-2 Mpro, principal enzima que o coronavírus utiliza para se replicar. Se encontrarmos essa substância, teremos um potencial agente antiviral," explicou o professor Carlos Alberto Montanari.

"O vírus não é um ser vivo. Para se reproduzir, precisa entrar em uma célula e utilizar a estrutura celular como mecanismo de replicação. Nesse processo, as enzimas desempenham um papel-chave, porque são elas que rompem as ligações químicas das moléculas, liberando energia. Nós também dependemos de enzimas para digerir os alimentos. E algumas das enzimas dos vírus são muito parecidas com as nossas. Se conseguirmos inibir a protease Mpro, que é a principal enzima usada pelo SARS-CoV-2, sem inibir as proteases de seres humanos, teremos um caminho para impedir a replicação do vírus. É isso que pesquisadores do mundo inteiro estão procurando," completou Montanari.

Primeiros passos

Testar uma substância em sistemas celulares "vivos" é o que os pesquisadores chamam de ensaio fenotípico. Se o resultado for positivo, o passo seguinte é identificar o mecanismo molecular envolvido no processo, para que as propriedades da substância possam ser otimizadas - um objetivo que também faz parte do projeto.

"São muitas etapas até chegar a um medicamento que possa ser utilizado com segurança pela população," enfatiza Montanari. "Mas elas são factíveis dentro do elevado grau de rigor científico em desenvolvimento tanto em nosso quanto em outros laboratórios, no Brasil e no mundo."

Com informaçãoes da Agência FAPESP