Notícia

Diário de Sorocaba

USP testa recapeamento de concreto em Votorantim

Publicado em 21 junho 2000

Um pavimento de concreto mais resistente e durável do que o asfalto, e que pode ser usado pata recapeamento de vias urbanas, deverá ser lançado em breve pela Universidade de São Paulo. Trata-se do "whitetopping" (capa branca) ultradelgado, desenvolvido pelo Laboratório de Mecânica de Pavimentos do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica. O teste deverá ser feito pela primeira vez na SP-079, em Votorantim. Pág. A-9 USP TESTA RECAPEAMENTO DE CONCRETO PARA USO URBANO A Universidade de São mio está fazendo testes com um pavimento de concreto mais resistente e durável que o asfalto, que pode ser usado para recapeamento urbano. Trata-se do "whitetopping" ultradelgado, desenvolvido pelo Laboratório de Mecânica de Pavimentos do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica. "Essa cobertura fina de cimento, de cerca de 7 cm, pode ser muito útil para corredores de ônibus urbanos, pois o sistema só requer um recapeamento a cada dez anos. Com o asfalto, é necessário capear de quatro a cinco vezes nesse período", disse José Tadeu Balbo, professor assoando do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli/USP. Segundo Balbo, não existe no Brasil a tradição de uso do concreto de cimento (portland) para pavimentação. Somente algumas rodovias, como Imigrantes e Castelo Branco, utilizam o sistema. No entanto, é um material que não sofre deformações por causa do clima tropical nem é importado, como o asfalto. Um projeto da USP, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está permitindo que o processo seja testado em uma pista experimental construída na Cidade Universitária. O financiamento da Fapesp foi de R$ 60 mil, tem duração de dois anos e permite o teste com vários tipos de pavimentos. ESTRADA - A tecnologia "whitetopping" (capa branca) normal, com uma camada de 20 a 22cm, vai ser utilizada pela primeira vez no recapeamento de uma rodovia brasileira, a SP-079, em Votorantim, onde o pavimento de concreto será colocado sobre o existente, de asfalto, e contará com acompanhamento da USP. Por um convênio com a ABCP, que financiará o projeto, de R$ 45 mil, o Departamento de Engenharia de Transportes da Poli/XJSP vai instalar instrumentos que avaliarão, durante 12 meses, a maneira como o clima e a carga afetarão o desempenho do pavimento, ou seja, seu grau de deformação e fissura. Segundo José Tadeu Balbo, o concreto é utilizado há muitos anos fora do País. "Na Alemanha, as auto-estradas foram construídas em concreto na década de 30 e só começaram a ter seu pavimento reconstruído na década de 90. O problema é que era um método caro. No entanto, a indústria de cimento conseguiu competitividade e atualmente o custo de uma estrada de concreto é, no máximo, 10% maior que uma de asfalto, com a vantagem de só precisar de reparo depois de pelo menos 20 anos de uso", diz o engenheiro.