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USP testa primeira planta de hidrogênio renovável a partir do etanol (183 notícias)

Publicado em 21 de fevereiro de 2025

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A Universidade de São Paulo (USP) deu início aos testes da primeira estação experimental do mundo dedicada à produção de hidrogênio renovável a partir do etanol. O projeto, conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), representa um marco na busca por soluções energéticas limpas e na transição para uma economia de baixo carbono.

O RCGI é um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) formado por meio de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e a Shell, sediado na Escola Politécnica da USP. Com um investimento de R$ 50 milhões, a estação experimental está localizada na Cidade Universitária, em São Paulo, e conta com o apoio de grandes empresas e instituições, como Shell Brasil, Raízen, Hytron (do Grupo Neuman & Esser), Senai Cetiqt, Toyota, Hyundai, Marcopolo e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). A iniciativa busca demonstrar a viabilidade do etanol como fonte de hidrogênio sustentável, aproveitando a infraestrutura já existente no país.

A planta-piloto tem capacidade para produzir 100 quilos de hidrogênio por dia, volume suficiente para abastecer três ônibus e dois veículos leves. O hidrogênio gerado será testado em coletivos de transporte público da USP e nos modelos Toyota Mirai e Hyundai Nexo, ambos movidos a hidrogênio. Durante esta fase experimental, serão analisadas a taxa de conversão do etanol em hidrogênio e a eficiência do uso do combustível nos veículos.

“Estamos promovendo uma revolução na matriz energética ao demonstrar que é possível produzir hidrogênio sustentável a partir do etanol, com grande eficiência logística”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do RCGI. “O Brasil tem condições únicas para esse desenvolvimento, considerando nossa infraestrutura consolidada para o etanol. Isso abre caminhos para a descarbonização da indústria em setores de altas emissões, como siderúrgico, cimenteiro, químico e petroquímico, além do transporte de cargas e passageiros.”

A produção de hidrogênio na planta-piloto ocorre pelo processo de reforma a vapor do etanol, no qual o etanol reage com água sob altas temperaturas, liberando hidrogênio. Esse método se destaca pela eficiência e pelo potencial de reduzir as emissões de carbono, uma vez que o CO2 liberado é biogênico, podendo ser compensado no ciclo da cana-de-açúcar.

A iniciativa pode transformar a mobilidade sustentável no Brasil. Fabricantes de aviões, montadoras de caminhões e ônibus podem se beneficiar diretamente do projeto, ao terem acesso a uma fonte confiável e sustentável de hidrogênio para o desenvolvimento de tecnologias baseadas em células a combustível. “O fomento dessa tecnologia pode trazer benefícios enormes para a indústria brasileira. A disponibilidade de hidrogênio em larga escala é essencial para avanços na mobilidade e na produção de fertilizantes sustentáveis”, destaca Meneghini.

Na visita à planta realizada no último dia 19, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ressaltou a relevância do projeto para a economia estadual e seu potencial de expansão. “O Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP representa uma das forças que permitem que nosso Estado lidere a transição energética no Brasil: a pesquisa científica. Temos infraestrutura, recursos hídricos e mão de obra qualificada, fatores que nos tornam um polo estratégico na produção de energia limpa. Estamos aproveitando o potencial da cana-de-açúcar para desenvolver soluções que transformarão vários setores industriais”, afirmou.

O governador também destacou a parceria com a FAPESP, a USP, a Shell e a Raízen, elogiando o trabalho conjunto para viabilizar a pesquisa. “Saímos da fase da mudança climática e entramos na emergência climática. Precisamos de velocidade para apresentar soluções, e a ciência brasileira sempre nos brinda com inovações”, afirmou Tarcísio.

Perspectivas para o futuro

Com os resultados da planta-piloto, espera-se obter dados que orientem estudos sobre a aplicação do projeto em larga escala. “Nosso objetivo é demonstrar o potencial dessa solução e gerar conhecimento técnico-científico sobre sua viabilidade, utilizando a infraestrutura do etanol para viabilizar a produção e distribuição do hidrogênio renovável”, explica Meneghini.

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, também enfatizou a relevância do projeto: “O papel das universidades é desenvolver tecnologias inovadoras para permitir que o Brasil faça uma transição energética e se posicione como líder mundial. Se conseguirmos oferecer energia mais barata e com menor pegada de carbono, teremos um diferencial competitivo global.”

O avanço da planta experimental da USP representa um passo estratégico para a produção de hidrogênio sustentável no Brasil. Segundo Meneghini, “a tecnologia contribuirá para consolidar o país como referência na geração de energia limpa, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e impulsionando diversos setores econômicos de maneira sustentável”.