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Jornal da Cidade (Bauru, SP)

USP testa método de autópsia 'delivery' e menos invasivo

Publicado em 04 março 2017

Por Cláudia Collucci

São Paulo - A USP está testando autópsias minimamente invasivas feitas com ajuda de ultrassom, tomografia e ressonância magnética. A ideia é comparar a eficácia desses métodos com a necropsia convencional (que abre o corpo para analisar órgãos). Também será estudada uma "autopsia delivery", em que o procedimento poderá ser feito no local de morte - numa UTI, por exemplo.

O projeto, pioneiro no País, reúne mais de cem pesquisadores de departamentos da USP e conta com o apoio financeiro da Fundação Bill  & Melinda Gates (US$ 100 mil) e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que ofereceu R$ 200 mil.

A pesquisa envolve cadáveres de pessoas que morrem de causas não violentas (doenças, por exemplo) e que são encaminhados ao SVOC (Serviço de Verificação de Óbito da Capital). Em geral, elas não tinham um médico que assistiam ou o profissional que as atendeu não estava seguro sobre a causa da morte.

Segundo o patologista Paulo Saldiva, coordenador do projeto e diretor do IEA (Instituto de Estudos Avançados) da USP, os novos métodos devem reduzir a rejeição das pessoas em relação à necropsia convencional.

"Muitas famílias querem preservar o corpo do ente querido e não autorizam a autopsia por ela ser muito invasiva. A ideia é que, com um ultrassom guiado, por exemplo, possamos retirar apenas fragmentos do pulmão, fígado ou de qualquer órgão afetado, sem necessidade de abrir o corpo", diz Saldiva. Ele explica que a autópsia é fundamental para determinar as causas de morte com precisão, mas está em desuso no mundo. Segundo a OMS, 70% do total de mortes no mundo não têm causa objetiva atribuída a elas.

Daí o interesse internacional no desenvolvimento de técnicas mais simples e que possam ser levadas a localidades remotas, que hoje não contam com o serviço.

"Há muitas informações na morte. Saber o que a causou é essencial para identificar epidemias antecipadamente ou avaliar a qualidade de assistência hospitalar pública e privada", afirma. Existem doenças que atingem órgãos difíceis de estudar enquanto o paciente está vivo, já que a retirada de tecidos é arriscada. Um exemplo são pacientes com câncer que apresentam problemas cardíacos por causa da quimioterapia. Algumas drogas são tóxicas ao coração.