Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

USP terá supercomputador mais potente da América Latina

Publicado em 28 novembro 2006

Uma máquina capaz de realizar 3,2 trilhões de operações por segundo e que poderá fazer previsões de tempo em minutos - em vez das três horas como é feito hoje com as máquinas tradicionais -, além de outras peripécias tecnológicas, começa a ser instalada na Universidade de São Paulo (USP) na próxima semana.
Este é o mais potente supercomputador a ser instalado em uma instituição de ensino da América Latina, segundo o ranking divulgado pela TOP 500 - editado pelas universidades de Mannheim (Alemanha) e do Tenesse (EUA). Ele foi adquirido por US$ 650 mil junto a IBM nos Estados Unidos e o investimento foi feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em resposta a um pedido de um consórcio formado por 66 pesquisadores ligados à USP.
O coordenador do grupo é o professor do Instituto de Física do campus da USP em São Carlos Luiz Nunes de Oliveira. Segundo ele, a máquina está sendo preparada para transporte em Miami, nos Estados Unidos, de onde sairá para ser desembarcada no aeroporto de Guarulhos (Cumbica), na próxima sexta-feira, dia 1º de dezembro. "A montagem terá início na semana que vem e deverá entrar em funcionamento até o final da primeira quinzena de dezembro", prevê Oliveira.
O equipamento será montado no Centro de Computação Eletrônica (CCE), ligado ao Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação na Cidade Universitária, em São Paulo. Segundo explica o professor, ele será instalado em São Paulo por conta da facilidade de acesso dos pesquisadores envolvidos.
Aporte.Por ser um supercomputador com características específicas - ele não pode deixar de funcionar um minuto sequer, para não comprometer os cálculos que faz - e também por ter de ser operada por pessoal altamente especializado, Oliveira já enviou um ofício à Reitoria da USP requisitando um aporte de mais 15 técnicos, sendo 10 para atendimento e outros cinco para trabalhar na programação da máquina. Se fosse comparado aos microcomputadores caseiros - com velocidade de até 1 GB - o supercomputador da USP equivaleria a 3.000 máquinas juntas. O espaço que ele ocupará na USP é de cerca de 1,80 de altura por 1 metro de largura.
Inicialmente o equipamento será manuseado por docentes da USP que já conhecem outros aparelhos instalados em universidades norte-americanas e européias. O grupo de 66 pesquisadores da USP ficará responsável pelo supercomputador durante dois anos (até final de 2008). Após este prazo, o equipamento ficará a cargo do Laboratório de Computação Científica Avançada (LCCA).
Para Oliveira o supercomputador deverá ser um marco para a universidade e poderá até elevar o número de publicações científicas realizados pela instituição. Hoje a USP é responsável por 26% das publicações feitas no País. O custo para manutenção do equipamento deverá ser de US$ 200 mil por ano, bancados inicialmente por recursos da própria universidade, instituições como a Fapesp, do governo estadual, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal.
A máquina irá impulsionar diversos projetos da instituição. Entre eles um ligado ao Instituto de Astronomia e Geofísica e Ciências Atmosféricas (IEAG) a respeito de buracos negros no espaço que está engavetado justamente por conta de um supercomputador que pudesse fazer os cálculos necessários. Outro projeto que deverá ser beneficiado é o do Centro de Estudos de Genoma Humano, do Instituto de Biociências da USP. "Alguns cálculos a respeito do genoma demoravam até três semanas e agora poderão ser feitos em horas", afirma Oliveira.