Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

USP terá computador contra dengue

Publicado em 03 dezembro 2010

Por Ana Paula Sousa

Um supercomputador capaz de fazer um trilhão de cálculos por segundo ajudará pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto a desenvolver um estudo que pretende desvendar o processo de infecção do vírus da dengue. Entender o mecanismo pode ajudar a desenvolver substâncias que impeçam a ligação do vírus com células humanas.

O grupo que conduz a pesquisa, liderada pelo professor Léo Degrève, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, procura um modo de inibir a ação da proteína E, que tem um papel fundamental na conexão do vírus à membrana celular de pessoas contaminadas pela doença.

"O vírus da dengue apenas se liga a alguns tipos de célula, como dendritos e macrócitos. Um antiviral poderia inibir a capacidade da proteína E de fazer essa ligação" afirma o biólogo Etore Aguiar Moreira, do Centro de Pesquisa em Virulência do HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão.

O computador, produzido pela empresa americana Silicon Graphics International, vai ajudar os especialistas que desenvolvem o estudo em Ribeirão a conhecer detalhes da estrutura tridimensional e detalhes atômicos dessa proteína.

Apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o projeto, que recebeu verba de cerca de R$ 600 mil, propõe a criação de um portal na internet, que terá o objetivo de integrar ações de vários grupos de pesquisa brasileiros.

Possibilidade

O vírus do dengue é um dos 68 flavivírus da família dos flaviviridae, que podem causar febres hemorrágicas e encefalites que chegam a ser, letais para o ser humano. Em Ribeirão, mais 29,5 mil pessoas foram infectadas pelo mosquito Aedes aegypti neste ano, a maior epidemia da história do município.

Para o médico da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão, Cláudio de Paulo, pesquisas a respeito dos quatro tipos de vírus da dengue são importantes para a saúde pública.

"Os estudos são muito válidos, mas infelizmente ainda não temos resultados concretos. O controle da dengue hoje ainda está nas pessoas" afirma.