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USP terá centro de pesquisas no Armazém 8 de Santos

Publicado em 22 novembro 2010

A Universidade de São Paulo (USP) vai implantar uma base oceanográfica no Armazém 8 do Porto de Santos, concentrando todas as suas pesquisas relacionadas ao mar na Cidade. As universidades locais também poderão participar do projeto e de trabalhos acadêmicos.

O plano foi exposto para A Tribuna ontem pelo reitor da USP, João Grandino Rodas, a bordo do navio oceanográfico Professor Besnard, estabelecido no cais do Armazém 8 e que será aposentado. A histórica embarcação que realizou seis expedições à Antártida fará parte do Museu Marítimo de Santos, a ser instalado também no Valongo.

Rodas veio a Santos para reafirmar o interesse da universidade em participar do processo de revitalização do Cais do Valongo, ocupando o velho galpão portuário. Ele se reuniu com o prefeito João Paulo Tavares Papa, o presidente da Codesp, José Roberto Correia Serra, diretores da companhia e com os secretários municipais Sérgio Aquino (Assuntos Portuários e Marítimos) e Fábio Alexandre Nunes (Meio Ambiente).

"O interesse é total em integrar o projeto de revitalização desta área (Valongo). O Armazém 8 é o que pretendemos para ser o centro da navegação da USP em direção ao mar. Tenho certeza que em pouco tempo teremos o projeto assinado formalmente e funcionando", disse o reitor.

Além da base oceanográfica, que funcionará como um ponto de partida para as pesquisas relacionadasao mar, a USP planeja desenvolver seus cursos correlatos às atividades marítima e portuária. "Hoje, há cursos como gestão portuária, que podem ser dados aqui, nesta área tão cobiçada".

O reitor não soube informar quanto custará a implantação da base, mas assegurou que há recursos suficientes disponíveis. "Assim que for assinado o uso do armazém, concluiremos o projeto, porque nos antecipamos e começamos a pensar na planta, e a reitoria vai liberar o dinheiro necessário".

Universidades locais

O projeto do armazém será de- senvolvido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da própria USP. Mas, será imprescindível a participação das universidades da Baixada Santista, afirmou o prefeito de Santos. Segundo ele, as instituições locais terão direito de participar da nova base. "Estamos procurando fazer o melhor projeto, buscando os melhores parceiros para dar o melhor para essa área".

O presidente da Codesp ressaltou que a implantação da base oceanográfica complementará ainda mais os serviços do Porto de Santos, considerado por ele o mais multifuncional do País. "Em todos os planos de desenvolvimento, sempre contemplamos espaço para pesquisas. É mandatário que haja aproximação com universidades, como a USP e as da região. Um projeto de armazém como o 8 não pode ser só bom, tem que trazer ganhos reais para a sociedade".

Revitalização

O presidente do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) e secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Sérgio Aquino, disse que o programa de revitalização dos armazéns 1 ao 8, no Valongo, já contemplava a criação de um instituto científico voltado ao mar, no próprio Armazém 8. Ao lado ficará uma base do Corpo de Bombeiros.

"Estamos dando andamento para firmar um documento formal com a USP e, depois, fazer reuniões com o grupo de revitalização e seguir com o projeto", destacou, ainda sem prazos estipulados.

Instituto investirá US$ 11 mi em 2 embarcações

O Instituto Oceanográfico (IO) da USP vai investir cerca de US$ 11 milhões na aquisição de um navio e um barco oceanográficos para as pesquisas que serão geradas a partir da base em Santos. As embarcações substituirão o histórico naviooceanográfico Professor Besnard, que será aposentado e integrará o futuro Museu Marítimo de Santos.

Segundo o diretor do IO, Michel Michaelovitch, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vai comprar as novas embarcações para doar ao instituto. O navio oceanográfico Moana Wave foi o escolhido pela universidade para substituir o Besnard. Construída em 1973 e remodelada em 2000,a embarcação custará US$ 9 milhões no total. Serão US$ 7,5 milhões para a aquisição, pagos a um estaleiro norte-americano, e US$ 1,5 milhão para a sua modernização.

Na última semana, representantes do IO estiveram nos EUA e acompanharam a auditoria feita no Moana Wave. Segundo o diretor, em 15 dias será conhecido o relatório das condições do navio. "A vistoria foi absolutamente rigorosa e a primeira impressão foi que o navio está em condições muito boas".

O futuro navio oceanográfico da USP tem 64 metros de comprimento por 11 de largura e pode deslocar 972 toneladas. O diferencial é sua autonomia de 70 dias, contra 15 do Besnard. Ele deverá receber um novo nome: Alpha Crucis, em alusão à estrela mais brilhante do Cruzeiro do Sul, que representa São Paulo na bandeira nacional.

A Fapesp ainda vai comprar um barco de 24 metros de comprimento para o IO. Custará até US$ 2 milhões e será construído por um estaleiro brasileiro. O lançamento ocorrerá 11 meses depois da encomenda. O barco também ficará em Santos.