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USP sedia encontro de reitores da Red Macrouniversidades

Publicado em 25 abril 2016

Por Adriana Cruz

Nos dias 7 e 8 de abril, a USP foi sede da 7ª Assembleia Geral de Reitores da Red Macrouniversidades da América Latina y el Caribe. No encontro, organizado pela Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), foram abordadas questões como os programas de mobilidade estudantil, o papel das universidades públicas, a pesquisa e a inovação na região.

A rede é composta, atualmente, por 36 universidades públicas (das quais três brasileiras – a USP, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Minas Gerais) e tem como objetivo constituir-se em um mecanismo de interlocução com os Estados nacionais e com as organizações nacionais e internacionais, estabelecendo um mecanismo de diálogo e intercâmbio, assim como de cooperação e ação conjunta sobre temas e experiências de interesse comum para as Universidades.

Na sessão de abertura, no dia 7, o reitor da USP, Marco Antonio Zago, deu as boas-vindas aos participantes, ressaltando ser uma “grande honra sediar esta assembleia” e afirmou que, se somados, os estudantes da Universidad de Buenos Aires (UBA) e da Universidad Nacional Autónoma de México (Unam), cujos representantes participaram do encontro, esse número chegaria a 800 mil. “Temos o poder de mudar a juventude”, destacou.

O presidente da rede e reitor da UBA, Alberto Barbieri, abordou a recente incorporação da Universidad de Chile e da Universidad Nacional de La Matanza, na Argentina, efetivada na 7ª reunião do Comitê Acadêmico Executivo da rede, que foi realizada no ano passado no campus da Unam, na Cidade do México.

O coordenador geral de Relações Internacionais da UBA, Patricio Conejero Ortiz, falou sobre o Programa de Mobilidade na Pós-Graduação da rede. Ortiz apresentou um resumo das chamadas anteriores, realizadas de 2005 a 2015, elencando o número de bolsas oferecidas, a quantidade de universidades participantes e os destinos dos estudantes. Em 2016, a oitava edição do programa estará com inscrições abertas a partir do dia 2 de maio.

Ortiz anunciou a primeira chamada para a mobilidade destinada a estudantes de graduação, que tem como objetivo alcançar a meta de 100 mil estudantes, em todas as áreas do conhecimento. O programa terá três chamadas, em 2016, 2017 e 2018, e financiamento do Santander no valor de US$ 1 milhão.

Após os informes da assembleia, os participantes puderam fazer questionamentos e falar brevemente sobre propostas para potencializar projetos das universidades voltados à mobilidade internacional.

Inovação – No dia 8, o cenário da pesquisa e da inovação na América Latina foi o tema da sessão aberta do encontro, apresentada pelo reitor Marco Antonio Zago e pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, ex-reitor da USP.

Zago destacou a heterogeneidade dos países da América Latina e a potencialidade para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. O reitor fez um panorama sobre a pesquisa e a inovação na região e apontou, como principal gargalo, o baixo número de patentes produzidas.

O presidente da Fapesp salientou que a fundação mantém 47 acordos de cooperação vigentes com instituições da América Latina, que totalizam investimentos da ordem de mais de R$ 34 milhões.

O encerramento da sessão foi marcado pelo pronunciamento do presidente da rede, Alberto Barbieri, que leu um comunicado conjunto sobre o ensino superior e a mobilidade estudantil regional.

Entidade luta para fortalecer academias

Em sua página na internet (www.redmacro.unam.mx), a Red Macrouniversidades da América Latina y el Caribe – criada em 2002 – destaca que entre os seus princípios estão:

• A defesa, promoção e consolidação da autonomia universitária como instituto jurídico e político nuclear da sociedade democrática, concebido para proteger a produção de conhecimentos e a liberdade de cátedras de toda espécie de ingerência ou pressão externa.

• A difusão e a reivindicação ativa dos acordos internacionais a respeito da responsabilidade dos Estados de prover adequado financiamento da educação superior.

• A legitimação da educação superior como um bem público e social não negociável.

• A condenação da guerra e de toda forma de violência interna ou externa para a resolução de controvérsias políticas e territoriais e a consequente promoção de mecanismos alternativos, pacíficos, justos e racionais para a resolução dos conflitos.

• A cooperação e a mobilidade universitária como ferramentas de reconhecimento do patrimônio cultural comum e de respaldo das investigações associativas sobre assuntos sociais e econômicos da região.

• A universidade pública, autônoma, como espaço não fragmentado por interesses de setor, mas dotada de uma perspectiva transversal e transdisciplinar. A universidade é a usina de ideias mais independente que se pode conceber e a instituição com maior capacidade de transgressão criativa da sociedade do conhecimento.