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USP São Carlos desenvolve software que identifica comentários e avaliações falsas na web

Publicado em 19 maio 2017

Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade (ICMC-USP), em São Carlos, devolveram um sistema que identifica comentários e avaliações difamatórias que têm como objetivo somente denegrir a imagem do produto ou serviço oferecido na Internet.

Chamada Orfel (sigla em inglês para Online-Recommendation Fraud Excluder), a novidade pode ter outras aplicações, como caracterizar a promoção ilegítima de publicações e páginas no Facebook, além de identificar citações cruzadas por revistas científicas.

De acordo com o site G1, o sistema conseguiu detectar mais de 95% de potenciais ataques maliciosos em sistemas de recomendação online e com maior eficiência do que outros algoritmos usados hoje para esse fim. Os resultados da aplicação do novo método foram descritos em um artigo publicado na revista ‘Information Sciences’.

O professor José Fernando Rodrigues Júnior explicou que o comportamento fraudulento não ocorre individualmente – é necessário um grande número de usuários postando comentários durante o período de um mês aproximadamente.  “Foi aí que a gente conseguiu detectar o padrão de comportamento. Mesmo que eles tentem disfarçar ao longo do tempo o nome do usuário, o que eles falam, a gente consegue identificar que aquele comportamento está ocorrendo de maneira sistemática a fim de promover ou difamar algum produto”, disse.

O novo método visa a identificar o comportamento chamado de ‘lockstep’. Muitas vezes, com o intuito de aumentar sua base de clientes, empresas utilizam um sistema de recomendação em que os usuários fazem avaliações sobre os produtos ou serviços que adquiriram e dão uma nota que varia de 0 a 5 estrelas.

A dificuldade de identificar esses ataques de múltiplos usuários falsos interagindo com vários produtos em momentos aleatórios é que eles ocorrem em meio a milhões de avaliações de produtos por usuários por segundo e, por isso, podem ser camuflados. No entanto, o ponto fraco desses ataques é que eles costumam acontecer em uma mesma janela de tempo e em fluxos. O software faz uma varredura nos comentários e identifica os suspeitos. “A empresa pode escolher punir o usuário simplesmente excluindo a conta e impedir que ele faça novos comentários ou até mesmo acionar as autoridades e tomar as medidas legais”, explicou o pesquisador Gabriel Gimenes.

O programa pode ser baixado gratuitamente e é voltado para as empresas. Para os consumidores, vale o alerta de que não dá para acreditar em tudo o que se lê na Internet. “Tem que prestar atenção em comentários extremos, como ‘maravilhoso’, ‘excelente’, ‘top’, com frases que ferem a boa gramática, porque isso é indicativo de que houve um processo computacional não muito inteligente para formar frases feitas”, disse Rodrigues.

O sistema foi desenvolvido durante o mestrado do estudante Gabriel Perri Gimenes e dos projetos de pesquisa “Divisão relacional por similaridade em banco de dados” e “Processamento analítico de grandes grafos”, realizados com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).