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USP quer criar teste capaz de prever internação de pacientes com Covid-19

Publicado em 27 outubro 2020

Por Juliana Contaifer

Equipe da Universidade de São Paulo identificou biomarcadores que podem ser os responsáveis pelo agravamento do quadro infeccioso

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um método para identificar pacientes com maior chance de desenvolver casos graves de Covid-19. De acordo com eles, com um exame de sangue, é possível analisar um conjunto de proteínas que fica no plasma sanguíneo e prever o desenvolvimento da doença.

O trabalho foi publicado em pré-print, ou seja, ainda não passou pela revisão da comunidade científica. O grupo encontrou as proteínas SAA1 e SAA2 em pacientes graves, e propõe que, assim que o resultado do exame RT-PCR for considerado positivo, seja feita a análise do plasma para procurar as proteínas. Se estiverem presentes, o paciente pode ser beneficiado por uma abordagem médica precoce.

A análise foi feita em 117 pacientes atendidos no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP. Os voluntários foram separados em grupo por idade, sexo e comorbidades. Os cientistas usaram um equipamento chamado MALDI-TOF, que é encontrado na maioria dos hospitais do Brasil.

“Trata-se de uma tecnologia barata e que já está presente na clínica. Poderia, portanto, ter rápida aplicação no prognóstico da Covid-19”, informou Giuseppe Palmisano, coordenador do projeto, à Agência Fapesp. “Com esse equipamento é possível fazer a análise do perfil de proteínas com apenas 1 microlitro de plasma e o resultado sairia em menos de meia hora. Além disso, é possível automatizar o processo e avaliar amostras de vários indivíduos ao mesmo tempo.”

As proteínas identificadas, explica Palmisano, são produzidas no fígado e possuem potencial inflamatório, tendo correlação com o nível de citocinas no organismo — a chamada “tempestade de citocinas” é uma das causas de óbito por Covid-19.

Pesquisa semelhante

Outro estudo parecido, feito pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP) e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), identificou outra proteína (sTREM-1) que pode servir como biomarcador para pacientes com possibilidade de agravamento do quadro. O procedimento foi feito com tecnologia diferente, por isso, conseguiu encontrar outra proteína.

Palmisano avalia que seria interessante unir as duas metodologias para obter resultados mais precisos.