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Universia Brasil

USP: Projeto estimula comércio eletrônico em mineração

Publicado em 16 agosto 2006

Pesquisadores da Escola Politécnica da USP estão desenvolvendo um modelo de referência com recomendações para a implantação de websites em empresas do setor de rochas ornamentais, como granito e mármore, interessadas em desenvolver o comércio eletrônico. A iniciativa faz parte do Projeto EmineRO (http://www.eminero.com.br) , do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli.
"A cadeia produtiva do setor (extração, beneficiamento, manufatura e comercialização para os clientes finais) movimenta em nosso País cerca de U$2 bilhões ao ano, exporta U$350 milhões e emprega mais de 100 mil pessoas", conta o pesquisador e engenheiro de minas Hélio Camargo Mendes, coordenador de pesquisa do projeto. "O Brasil é o quinto exportador mundial do produto, ficando atrás da China (1ª), Itália, Índia e Espanha", afirma. Segundo Mendes, entre 30% e 40% da produção nacional é direcionada para a exportação. Os maiores produtores brasileiros são os estados de Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais.
Apesar da posição de destaque, no Brasil a internet ainda está longe de ser uma aliada do setor. Mendes pesquisou cerca de 200 sites brasileiros e os comparou com os dos principais países exportadores. "Os nacionais eram deficientes. A maioria tinha design inadequado, com informações e linguagem inapropriada. Também encontramos problemas de navegação", relata.
De acordo com o engenheiro, no exterior, além de haver um número maior de páginas sobre rochas ornamentais, a qualidade dos sites é superior. Há, inclusive, vários portais voltados para o pequeno produtor. "No Brasil, cerca de 90% das empresas da área que têm páginas na internet são de médio porte", conta Mendes. "Seria possível, por exemplo, criar portais de associações voltados para as de pequeno porte, que poderiam exportar em esquema de cooperativa."

Modelo
A partir da análise de aproximadamente 500 empresas internacionais, de entrevistas e de estudos de sites, foi possível estabelecer algumas recomendações para a elaboração de páginas do setor. O site deve ter informações sobre a apresentação da empresa, a capacidade produtiva e de entrega, a qualidade e a descrição dos produtos oferecidos, como as cores, por exemplo, entre outros dados.
Mendes ressalta que a comercialização de rochas ornamentais via internet não pode ser comparada com a de livros. Primeiro porque é um comércio direcionado para o cliente já conhecido. Também não é possível disponibilizar a tabela de preços, porque os valores da venda são variáveis de acordo com o tamanho da empresa e da compra. "Mas haveria a possibilidade de os clientes terem um cadastro no site e acessarem a tabela por meio de login e senha. O sistema indicaria se é pequena, média ou grande", explica o pesquisador.
"Não é a internet quem vende, mas sim o vendedor", afirma o engenheiro, lembrando que a rede é para agilizar o processo e estabelecer linhas de comunicação com o cliente. Por isso, é aconselhável que a página tenha espaços para o preenchimento de cadastros de contatos e de andamento de vendas. "O site precisa ser feito pensando-se no interesse do cliente: desde a oferta do produto até o despacho do pedido. Com isso é possível aumentar as vendas."
O projeto E-mineRO teve início em 2004 e foi concebido pelo Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli, pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) - órgão do Ministério da Ciência e da Tecnologia -, em parceria com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e com o Centro Tecnológico de Mármore e Granito (CETEMAG), contando com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O projeto, coordenado pelo professor Giorgio Francesco Cesare de Tomi, da Poli, conta com 12 pesquisadores.
O modelo de referência será apresentado no final deste ano no Encontro Nacional de Engenharia de Produção (Enegepe), em Fortaleza.