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Jornal da USP online

USP poderá ter sede brasileira do Instituto Pasteur

Publicado em 15 junho 2015

Por Adriana Cruz

A USP, o Instituto Pasteur e a Fiocruz se uniram para atuar de forma conjunta no Brasil, por meio de plataformas técnico-científico-educacionais, visando à futura criação do Instituto Pasteur no Brasil, que deverá ser instalado no campus da Universidade, em São Paulo.

O futuro Instituto Pasteur no Brasil pretende contribuir para soluções que visam ao bem-estar da população, com ênfase em saúde, por meio do desenvolvimento de uma rede científica de pesquisa biológica, biomédica e biotecnológica de nível nacional, regional e internacional, reunindo as competências complementares da Fiocruz e da USP e as potencialidades da Rede Internacional dos Institutos Pasteur (RIIP).

As instituições firmaram a parceria com a assinatura de um acordo de cooperação, no dia 8 de junho, em cerimônia realizada no Rio de Janeiro.

O acordo prevê também a criação de unidades de laboratórios mistos em São Paulo e Rio de Janeiro. Os polos de pesquisa vão atuar nos campos de doenças emergentes ou doenças negligenciadas com potencial para novas epidemias, entre elas dengue, Chagas, leishmaniose, malária e chikungunya.

Esses centros também atuarão nas áreas de doenças do sistema nervoso, em outras causas de morbidez e de mortalidade ligadas ao aumento de expectativa de vida e à urbanização (doenças cardiovasculares e respiratórias, hipertensão, diabetes e outras enfermidades metabólicas), biodiversidade e microbioma, pesquisa translacional e computacional, e integração de estratégias para tratamento de megadados relacionados com a saúde e na busca de soluções para a saúde.

Momento histórico – Para o reitor da USP, Marco Antonio Zago, o acordo representa um momento histórico de união de três instituições. “É uma honra estabelecer uma parceria com duas instituições tão renomadas e, principalmente, desenvolver projetos em conjunto, em longo prazo, que buscam a inovação”, ressaltou.

O presidente do Instituto Pasteur, Christian Bréchot, afirmou que a cooperação vai reunir a expertise das três instituições nos campos de pesquisa em mudanças climáticas, meio ambiente, genética e biodiversidade.

Segundo ele, a parceria possibilitará o desenvolvimento de estudos com enfoque na interconexão entre doenças crônico-degenerativas, como câncer, diabetes e enfermidades neurodegenerativas, e doenças infecciosas, como mal de Chagas e malária. “No Brasil, é visível a mudança no perfil de doenças, que tem se deslocado de enfermidades infecciosas para crônico-degenerativas. Esse é o campo principal de atuação do Instituto Pasteur, onde, por exemplo, já iniciamos estudos focados no câncer decorrente de doenças provocadas por patógenos. Ao mesmo tempo, observa-se no mundo o ressurgimento de doenças infecciosas. É com base nesse contexto que pretendemos trabalhar juntos. Essa cooperação vai contribuir para o futuro da ciência, da medicina e da saúde pública”, destacou.

O presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, ressaltou que a cooperação representa uma inovação, pois supera o desafio da complexidade das três instituições e do tempo necessário para a implantação de uma instituição com o porte do Instituto Pasteur no Brasil. “Esse acordo já estabelece, de forma imediata, ações de parceria e formas de pesquisa e financiamento, e aponta para a construção de um plano de negócios que terá, em um período máximo de um ano, todo o esforço necessário para a construção do Instituto Pasteur no Brasil”, disse.

Visita – No próprio dia 8, no período da manhã, uma comitiva do Instituto Pasteur, acompanhada do reitor Marco Antonio Zago e dirigentes da Universidade, visitou na USP o espaço onde poderá ser instalada a sede brasileira do instituto. Além do presidente da instituição, Christian Bréchot, participaram da visita o diretor internacional, Marc Jouan; a diretora adjunta internacional, Jennifer Heurley; a diretora de Pesquisa, Paola Minoprio; e o gerente de Projetos da Associação Pasteur Internacional Network, Vincent Brignol.

Em seguida, o grupo participou de um encontro na Reitoria, que também contou com a presença do diretor-científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz; do presidente do CNPq, Hernan Chaimovich; do diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil; do cônsul-geral da França em São Paulo, Damien Loras; do diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Jackson Bittencourt; e do vice-diretor do ICB, Luís Carlos Ferreira, entre outros representantes da Universidade.

(Com informações da Agência Fiocruz de Notícias)