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USP: Pesquisa realizada na EEFE investiga os efeitos dos suplementos de creatina na função renal

Publicado em 27 setembro 2011

Segundo a nutricionista Rebeca Lugaresi, que realiza o estudo na EEFE, ainda não há consenso entre os profissionais da área da saúde quanto à segurança deste suplemento. Ela conta, porém, que têm sido descobertas diversas utilidades para a suplementação de creatina, como o combate a miopatias, doenças do sistema nervoso (Parkinson e Alzheimer, por exemplo), osteoporose e diabetes tipo 2. Mas afirma que, para que essas pesquisas continuem evoluindo, é necessário esclarecer se a creatina prejudica ou não a função renal. "Precisamos fornecer evidências definitivas de que isto não ocorre".

Voluntários

A creatina é um composto de aminoácidos presente em grande quantidade nos músculos e sua principal função é atuar no fornecimento de energia para o organismo. O composto pode ser ingerido através da alimentação (carne vermelha e peixes) e de suplementos alimentares. No nosso corpo, a creatina é convertida em creatinina e excretada pela urina. Rebeca afirma que a ideia do trabalho será investigar, no período de um ano, os efeitos da creatina na função renal de indivíduos praticantes de treinamento de força.Para isso, os pesquisadores estão recrutando voluntários para participar dos estudos. De acordo com Rebeca, os candidatos tem que ser saudáveis, ter entre 18 e 30 anos, ser praticantes de treinamento de força por ao menos dois anos, não usuários de suplementos alimentares que contenham creatina ao menos por um ano, e não usuários de esteroides anabolizantes.

Além disso, eles deverão ter disponibilidade para, a cada três meses, comparecer no Hospital das Clínicas (HC) por três dias no período da manhã, para a realização dos exames, e preencher um diário alimentar por 7 dias consecutivos. Os interessados devem entrar em contato através do telefone (11) 7165-6659, ou do email lugaresi@usp.br.

Desenvolvimento da pesquisa

A pesquisa sobre o suplemento de creatina será desenvolvida com a colaboração do Laboratório de Nutrição e Metabolismo Aplicados à Atividade Motora da EEFE e do Laboratório de Avaliação e Condicionamento em Reumatologia da Faculdade de Medicina (FM) da USP. O projeto está recebendo, também, o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Através do acompanhamento direto dos voluntários, serão realizados os primeiros exames e a avaliação da ingestão alimentar. "Assim que tivermos os primeiros resultados dos exames e estes estiverem dentro da normalidade, os sujeitos passarão a receber o suplemento", explica Rebeca. A partir daí, o processo de exames irá se repetir a cada três meses a fim de que haja uma verificação da função renal dos participantes do estudo.

Rebeca conta que já existem diversos trabalhos sobre o assunto na literatura científica, mas muitos são criticados por falta de atenção em relação a alguns pontos e critérios importantes, como o marcador de função renal utilizado, o número de participantes ou o tipo de desenho do estudo.

Nesse sentido, Rebeca afirma que a sua pesquisa possui um diferencial: a utilização do "clearance 51Cr-EDTA", um marcador que serve para avaliar a função renal e que não sofre influência do suplemento de creatina. "O nosso objetivo é finalizar as dúvidas que existem quanto à segurança do uso da creatina", completa.

Fonte USP