Notícia

Gazeta Mercantil

USP pesquisa computador que reconhece o usuário

Publicado em 11 novembro 1999

Por Eduardo Geraque - de São Paulo
Sentar em frente ao computador. Sem dizer nem uma palavra, apenas com a presença física, a máquina reconhece aquele determinado usuário, abre os seus programas preferidos sem nenhum toque no mouse. Ao contrário do que parece, o reconhecimento dos computadores, por intermédio de uma "inteligência" artificial, não é mais enredo de ficção científica. Vários grupos de cientistas no mundo, incluído o liderado pelo professor Roberto Marcondes César Júnior, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, buscam definir uma rotina perfeita para que o reconhecimento do computador pelo seu dono seja também perfeito. "É bom dizer que já existem alguns pequenos programas que fazem o computador reconhecer o usuário", diz César Júnior. "Mas estes programas são pouco flexíveis. Se a pessoa tirar a barba, por exemplo, ela não será mais reconhecida", exemplifica o pesquisador da USP. Para atingir o principal objetivo das pesquisas, o professor explica que é necessário vencer três etapas. Em linhas gerais, são elas a detecção do usuário, o rastreamento e o reconhecimento da pessoa pelo computador. "As três etapas apresentam dificuldades científicas", admite o pesquisador da USP. Na primeira fase, segundo o professor, o importante é fazer com que o computador perceba que aquela determinada pessoa está sentada à sua frente. "Não adianta apenas perceber que alguém está ali. Pode ser outra pessoa ou até um animal", diz César Júnior. No segundo caso, a máquina precisa acompanhar "quadro a quadro" - como se a pessoa a ser reconhecida estivesse em um filme - os movimentos da pessoa. E, por fim, realmente definir aquele rosto como o certo. "Nesta terceira etapa existe uma série muito grande de possibilidades a serem testadas", diz o professor da Universidade São Paulo. Elas vão desde dados estatísticos, passam por processamentos de sinais digitais e chegam até a relações anatômicas. "Medidas entre os olhos e também entre os olhos e o nariz podem ser fundamentais", diz César Júnior. O grupo do Instituto de Matemática e Estatística da USP busca soluções também na Biologia, Medicina e Física para resolução dos problemas a serem resolvidos pelas pesquisas. A idéia, segundo o coordenador dos estudos, é sempre ter uma abordagem multidisciplinar. "A natureza demorou tanto tempo para criar um mecanismo tão perfeito de reconhecimento como é o nosso cérebro que nós precisamos entender também mais como ele funciona", acredita César Júnior. Quando a rotina de reconhecimento estiver aperfeiçoada, uma das aplicações práticas da nova tecnologia será, por exemplo, o fim das senhas nos caixas eletrônicos. A identificação de crianças desaparecidas e ainda de criminosos por intermédio de retratos falados também serão aplicações importantes dos computadores dotados de poderes de reconhecimento.