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USP faz teste inédito com carro sem motorista pelas ruas de São Carlos

Publicado em 22 outubro 2013

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), realizaram uma experiência inédita nesta terça-feira (22). Pela primeira vez na América Latina, um carro sem motorista e que também não é movido a controle remoto saiu pelas ruas em uma demonstração pública. O projeto ‘Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma’ (Carina) surpreendeu os moradores.

“Bem moderno! A tecnologia está avançada, quando a gente pensa que já viu tudo, vem um carro dirigindo sozinho. Eu achei um máximo”, disse a vendedora Isabel de Castro Alves.

O veículo inteligente foi adaptado por professores e alunos do laboratório de robótica da USP, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC). No lugar do motorista há dois computadores que trabalham em conjunto com oito câmeras, GPS e dois sensores a laser, que fazem uma leitura do trajeto para identificar obstáculos a uma distância de 100 metros. Quando outro veículo ou pedestre cruza o caminho, o sistema aciona o freio automaticamente.

“Ele detecta cada obstáculo que tiver em volta do veículo. Ele consegue dizer se tem uma pessoa ao lado do carro, ou se está à frente, ou se tem outro carro”, explicou o pesquisador Patrick Shinzato.

O Carina passeou pelas ruas da cidade, a 40 quilômetros por hora, escoltado por agentes de trânsito. A velocidade e o trajeto foram definidos em um computador. Na primeira volta fora do laboratório o veículo obedeceu aos comandos e fez todas as manobras.

Avaliado em mais de R$ 300 mil, o carro, que tem inteligência artificial e usa tecnologia 100% nacional, ainda está em fase de testes. Segundo o pesquisador Denis Wolf, o projeto pode trazer vários benefícios. “Sabemos que o maior motivo dos acidentes rodoviários é falha humana. A gente acredita que em pouco tempo o carro vai dirigir muito melhor que uma pessoa”, afirmou o pesquisador.

Em testes feitos dentro do campus da USP nos últimos dois meses, o Carina rodou mais de 150 quilômetros de forma totalmente autônoma. O carro robô, entretanto, ainda precisa de ajustes. “Ele tem que identificar pessoas que estão paradas na faixa de pedestres, parar e dar prioridade a elas. Ainda tem muito trabalho antes desse projeto ser encerrado”, declarou Wolf.

A expectativa dos pesquisadores é que o carro esteja pronto para ser usado pela população em até cinco anos, com objetivo de diminuir o número de acidentes em ruas e rodovias, além de colaborar com idosos e pessoas com deficiência física. O projeto ainda pretende contribuir com a automatização agrícola e do transporte de carga.

G1