Notícia

Jornal do Comércio (RS)

USP faz software para tratamento auditivo

Publicado em 07 abril 2009

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina (FM) da USP foi base para a criação de um software para o tratamento de problemas relacionados à percepção auditiva. O software foi parte do trabalho de doutorado da fonoaudióloga Cristina Ferraz Borges Murphy defendido na própria Medicina, intitulado Desenvolvimento de software para treinamento auditivo e aplicação em crianças com dislexia.

Como afirma a própria pesquisadora, “dislexia é um tipo de transtorno de aprendizagem que se caracteriza, principalmente, pela dificuldade para aprender a ler e escrever, dificuldade para se alfabetizar.” O estudo, contudo, partiu da linha de pesquisa adotada por Cristina, que relaciona as dificuldades de leitura com problemas de percepção auditiva. A partir daí, um programa de computador que visava melhorar o Processamento Temporal Auditivo (PTA) foi desenvolvido para ser testado em um grupo de crianças disléxicas.

O PTA é uma habilidade de percepção auditiva que requer um processamento rápido dos estímulos. Cristina cita como exemplo de som que requer estímulos rápidos as consoantes, que são sons mais rápidos que as vogais e “requerem um processamento temporal auditivo integro, para que possam ser discriminados”.

A partir de um software norte-americano, foram desenvolvidos dois jogos de computador para o treinamento auditivo, um não-verbal e um verbal. O jogo não-verbal visava principalmente estimular a percepção e diferenciação de sons agudos e graves. Já o jogo verbal visava a diferenciação de sílabas, principalmente em consoantes de som parecido, como “p” e “b” ou “v” e “f”. Neste caso, houve uma expansão do tempo de produção deste som, a chamada “fala expandida” para facilitar o processo de discriminação.

Já em relação ao processamento temporal, as diferenças nas capacidades das crianças antes e depois do treinamento, foram bastante relevantes. As melhores e mais importantes foram em relação ao “período de freqüência”, ou seja, a habilidade de diferenciar e ordenar sons agudos e graves, e em relação ao “período de duração”, que está ligado processo de diferenciar e ordenar sons longos e curtos.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e contou com o auxílio da Associação Brasileira de Dislexia para seleção dos participantes. O trabalho de Cristina é um dos candidatos ao prêmio anual da Academia Americana de Audiologia. A premiação acontece em abril, em Dallas, no estado do Texas (EUA).