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USP entregará a seus professores prêmio “Trajetória pela Inovação”

Publicado em 22 junho 2018

No dia 23 de agosto, a Pró-Reitoria de Pesquisa e a Agência USP de Notícias realizarão a entrega do prêmio USP Trajetória pela Inovação para os cinco professores selecionados. A iniciativa foi criada para reconhecer e valorizar as ações dos professores da Universidade que se destacaram, ao longo de suas atividades acadêmicas, na produção de inovações científicas, tecnológicas ou culturais, contribuindo assim para a excelência do resultado institucional e para o desenvolvimento socioeconômico do País.

A Comissão do Conselho de Pesquisa da USP elaborou uma lista com 43 nomes propostos pelas unidades, museus e institutos especializados, cujas indicações foram aprovadas pelas respectivas Congregações ou Colegiado. Os indicados poderiam estar atuando, aposentado ou in memoriam.

Confira os cinco professores selecionados:

Glaucius Oliva (IFSC)

Professor Titular do Instituto de Física de São Carlos (IFSC). É Coordenador do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CIBFar/Cepid) da Fapesp. Seus principais interesses de pesquisa estão centrados em biologia estrutural e química medicinal aplicados ao planejamento e desenvolvimento de novos fármacos, com particular ênfase em doenças infecciosas endêmicas brasileiras. Doutorou-se em Cristalografia de Proteínas pela Universidade de Londres em 1988.Hoje, lidera uma equipe de pesquisas com uma composição multidisciplinar de físicos, biólogos e químicos. Também tem liderado projetos em colaboração com empresas farmacêuticas nacionais. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências e Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico. Também é membro da The World Academy of Sciences for the advancement of science in developing countries (TWAS) e Fellow do Birkbeck College – University of London. Foi diretor (2010) e presidente (2011-2015) do Conselho Nacional e Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, bem como fundador e membro do Governing Board do Global Research Council (GRC).

Ismar de Oliveira Soares (ECA)

Professor Titular Sênior da Escola de Comunicações e Artes (ECA). Bacharel em Geografia e Licenciado em História pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena (1965). Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero (1970). Mestre (1980) e Doutor em Ciências da Comunicação (1986) pela USP, com pós-doutorado, em 2000, pela Marquette University Milwaukee,WI, USA. Jornalista responsável pela revista Comunicação & Educação, da ECA, desde 1994 até a presente data. Coordenou, de 1996 a 2014, o NCE- Núcleo de Comunicação e Educação da ECA.

Pesquisador Fapesp, ressemantizou, em 1999, após pesquisa realizada junto a uma amostragem latino-americana, o neologismo “Educomunicação” para designar um campo emergente de intervenção social na interface comunicação/educação. Promoveu, em 2002, o Projeto Educom.TV (primeiro curso on-line da USP, destinado à formação de dois mil professores do Estado de São Paulo, sobre o emprego da linguagem audiovisual na escola, sob a perspectiva da educomunicação). Promoveu, entre 2001 e 2004, o Projeto Educom.rádio (formação de 11 mil professores e alunos da rede municipal de ensino de São Paulo, para o uso educomunicativo das linguagens midiáticas no espaço escolar.

Inovando na pesquisa, na docência e na extensão cultural, vem impactando positivamente a sociedade e de forma a ter suas ideias e propostas incididas em políticas públicas implementadas em várias regiões do país. Ainda, no campo da inovação, sob a coordenação do Professor, o Conselho de Comunicação Social do Senado promoveu evento em que representantes da Unesco podem conhecer práticas e pesquisas em educomunicação ao ouvir pesquisadores de universidades, professores e alunos de projetos promovidos por escolas públicas e privadas. No momento está a frente de um movimento para a formação de uma rede de educomunicação internacional, iniciando pelo território latino-americano.

Roberto Postali Parra (Esalq)

Graduado em Engenharia Agronômica (1968), mestrado em Entomologia (1972) e doutorado em Entomologia pela (1975), todos pela USP. Realizou o pós-doutorado na Universidade de Illinois (Urbana Champaign) em 1977-1978. Atualmente, é professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiros (Esalq).

Membro da Academia Brasileira de Ciências desde 2000 e membro da Academy of Science for the Developing World (TWAS) desde 2002. Recebeu a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2002 e pertence à Classe da Grã Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico em 2010. Bolsista de produtividade em pesquisa 1A do CNPq. Tem experiência em Entomologia Agrícola, atuando principalmente nas áreas de Biologia, Controle Biológico e Manejo Integrado de Pragas. Seu tema central de pesquisa é “Técnicas de criação e nutrição de insetos para programas de Controle Biológico” com ênfase a parasitoides de ovos, especialmente

Kazuo Nishimoto (Poli)

Possui graduação em Engenharia Naval e Oceânica pela USP (1979), mestrado em Engenharia Naval e Oceânica – Yokohama National University (1982) e doutorado em Engenharia Naval e Oceânica pela Universidade de Tokyo (1985). Atualmente, é professor titular da Escola Politécnica (Poli).

A especialização foi na área de Engenharia Naval e Oceânica, com ênfase em Hidrodinâmica e Projeto de Navios e Sistemas Oceânicos. Mas, recentemente, a atuação é em integração de diversos conhecimentos de engenharia e ciências básicas como coordenador geral do Tanque de Provas Numérico (TPN), principalmente nos seguintes temas: Simulação Numérica de Dinâmica de Sistemas Oceânicos, Desenvolvimento de Novos Sistemas Oceânicos, Método de Partículas para Dinâmica do Meio Continuo.

Marcelo Britto Passos Amato (FMUSP)

Professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e pneumologista do Hospital das Clínicas, sua contribuição refere-se à uma inovadora tecnologia nacional – Tomografia de Impedância Elétrica, que monitora em tempo real a condição dos pulmões. Entre as tecnologias desenvolvidas, e já adotadas na prática médica, incluem-se a VAPSV (modalidade ventilatória hoje disponível em mais de 100.000 ventiladores artificiais ao redor do mundo), algoritmos automáticos para otimizar sincronia na pressão suporte (já disponíveis em ventiladores artificiais a partir de 2004) e a tomografia de impedância elétrica (com trabalhos científicos que mereceram o prêmio Siemens de Ciência e Tecnologia de 2006, e com empresa parceira e desenvolvedora que foi vencedora do prêmio Inova Saúde de 2015, da ABIMO).

Apesar de já licenciada na para uso clínico em UTIs nacionais e europeias, essa tecnologia continua em constante aperfeiçoamento tecnológico através de parcerias com a Escola Politécnica da USP, com grandes centros de pesquisa nacionais e internacionais, incluindo as Universidades de Colorado, Harvard e Uppsala, e o Kennedy Space Center da Nasa. Nos últimos 10 anos, apresentou suas pesquisas em mais de 350 eventos científicos internacionais como conferencista convidado.

Atualmente, está na coordenação de seu sexto projeto temático envolvendo a Faculdade de Medicina e a Escola Politécnica da USP. Entre suas publicações mais importantes incluem-se dois trabalhos originais (1998 e 2015) como primeiro autor no The New England Journal of Medicine e um artigo de capa no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. Seus trabalhos científicos já mereceram 12 editoriais e mais de quatro mil citações em periódicos científicos internacionais nas áreas de medicina e engenharia.

Também foi outorgado, por indicação do Reitor, o Prêmio USP Trajetória pela Inovação in memorianpara o professor Horácio Carlos Panepucci, que era professor titular do Instituto de Física de São Carlos.

Como pesquisador, Panepucci se especializou na área de Espectroscopia, principalmente Ressonância Paramagnética Eletrônica e Ressonância Magnética Nuclear, investigando aspectos básicos da matéria condensada. Mais tarde, enveredou pelas aplicações médicas da física, com Imagens e Espectroscopia por Ressonância Magnética (IRM). Em ambas as áreas, seu trabalho é reconhecido como pioneiro no Brasil e na América Latina. Sua pesquisa em física resultou em 80 artigos publicados em revistas científicas, livros e anais de conferências internacionais.

Na área de Física Aplicada, que conta também com um número significativo de trabalhos em revistas, sua principal contribuição foi no desenvolvimento pioneiro das técnicas de Imagem e Espectroscopia por Ressonância Magnética no Brasil, que resultou no desenvolvimento, no período de 1998 1999, de um sistema completo de IRM para uso clínico. Esse sistema constitui um dos mais vívidos exemplos de transferência de resultados de pesquisa básica com benefícios diretos orientados para a sociedade.

A consequência da instalação desse sistema em ambiente clínico, onde operou por cerca de nove anos, gerando perto de nove mil exames de diagnóstico por Ressonância Magnética, beneficiou diretamente a população de São Carlos e região, de forma imediata, mas criou subsídios para o beneficio de uma comunidade ainda maior de pesquisadores e usuários das técnicas de RM. Por esse e outros fatos, a administração pública de São Carlos atribuiu seu nome ao hospital-escola do município, hoje sob a tutela do Ministério da Educação, como parte da Escola de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

As gerações de pesquisadores que o sucederam carregam a tarefa de tornar a técnica de imagens por RM conhecida não apenas nas aplicações clínicas, mas em quaisquer áreas da ciência onde possam encontrar potencial aplicação. Esta é parte preciosa da sua herança ao parceiros do IFSC.

Mariana Golnçalves / Agência USP de Notícia