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USP e CNPq inocentam pesquisador de fraude

Publicado em 02 agosto 2013

Por Herton Escobar

O pesquisador Rui Curi, ex-diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), foi inocentado das acusações de fraude científica levantadas contra ele no início do ano.

A Comissão de Integridade na Atividade Científica (Ciac) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concluiu anteontem, seis meses após o início das investigações, que não houve "falsificação dos resultados nas publicações examinadas". Uma comissão investigadora formada em janeiro pela reitoria da USP também "não constatou fraude nas pesquisas analisadas", segundo informações levantadas pelo Estado.

A Ciac observou, porém, que "houve falha no exercício de rigor na condução e divulgação de resultados, indispensáveis à pesquisa de qualidade" (leia nesta página a íntegra da resposta enviada à reportagem pelo presidente da comissão, Paulo Beirão).

Curi é pesquisador de nível 1A do CNPq (categoria máxima de produtividade atribuída pela instituição), com mais de 500 trabalhos científicos publicados em 32 anos de carreira - média superior a um trabalho por mês. Entre dezembro de 2012 e janeiro deste ano, surgiram denúncias anônimas na internet de que oito trabalhos publicados por ele e vários colaboradores desde 2004 continham dados e imagens supostamente adulterados. Dois trabalhos foram retratados ("despublicados") e três oficialmente corrigidos desde então.

Os dois artigos retratados eram de 2007, ano em que Curi assinou uma média superior a três trabalhos por mês. Em ambos ele era o autor principal.

As pesquisas tratam de interações bioquímicas relacionadas ao metabolismo, dieta e prática de exercícios, que é o foco do trabalho de Curi na USP. Outros 16 cientistas, incluindo alunos e colaboradores de outras instituições, assinam os trabalhos questionados. A Ciac não especificou se a "falha de rigor" implicará em alguma ação disciplinar para os pesquisadores.

Curi foi procurado ontem pela reportagem, mas não quis se manifestar. Seu mandato como diretor do ICB-USP terminou em 30 de junho.

A USP informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a investigação das acusações foi concluída no fim de junho e encaminhada para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financia várias das pesquisas e dos cientistas envolvidos nas denúncias. Segundo a assessoria, não cabia à reitoria da universidade tomar nenhuma decisão, "visto que a decisão da comissão não deu parecer desfavorável ao professor Rui Curi".

"Vamos analisar as informações e ver se aceitamos ou não o resultado da investigação", disse ao Estado Luiz Henrique Lopes dos Santos, professor da USP e membro da Coordenação Adjunta da Diretoria Científica da Fapesp, que acompanha o caso. A fundação poderá abrir uma investigação própria, caso o parecer não seja satisfatório.

Conclusão da investigação

"Análise dos casos denunciados, considerando...

... parecer de especialista ad hoc consultado e avaliação da Ciac não permitiu constatar falsificação dos resultados nas publicações examinadas que pudesse conduzir a conclusões distintas das divulgadas. Vale ressaltar que as conclusões dessas publicações foram confirmadas por autores independentes, que citaram os trabalhos e divulgaram resultados concordantes. Não obstante, a Ciac verificou que há erros na composição de figuras e na apresentação de dados, erros reconhecidos pelos autores denunciados, que indicam descuido nos procedimentos empregados na elaboração e revisão dos manuscritos em pauta. A Ciac conclui que houve falha no exercício de rigor na condução e divulgação de resultados, indispensáveis à pesquisa de qualidade." - Paulo Beirão, presidente da Ciac.

O Estado de S. Paulo - 02/08/2013