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AgroAgenda

USP e as Redes Temáticas: "Agroenergia e Sustentabilidade" apontou diretrizes para pesquisas na área de bioenergia

Publicado em 28 setembro 2009

Congregar especialistas desde a obtenção da matéria-prima, processo e uso final, atuando no Planejamento Nacional de Bioenergia, foi o objetivo do Simpósio de Bioenergia, realizado nesta sexta-feira, 25 de setembro, no auditório "Altino Antunes" da Faculdade de Medicina Veterinária da USP. Especialistas e empresários do setor proferiram palestras para um público composto por discentes, docentes, pesquisadores e demais representantes da comunidade uspiana.

Comitê Organizador: Antonio Roque Dechen, diretor da ESALQ e coordenador da Rede Nacional de Bioenergia; Igor Polikarpov (IFSC); Carlos Labate, Luiz Lehmann Coutinho, João Martines e Paulo Seleghim.

O professor Antonio Roque Dechen abriu os trabalhos afirmando ser este um momento profícuo de atividades relacionadas ao tema bioenergia. Em seguida, chamou à mesa Marcos Jank, presidente da Unica, que apresentou "Tendências e perspectivas do mercado sucroenergético". Jank fez um estudo sobre a evolução e perspectiva do setor sucroenergético brasileiro e abordou os programas socioambientais. "O debate sobre a utilização da cana como principal fonte de bioenergia tem que ser global e envolver a relação com outras culturas, como a soja, por exemplo", defende. Além disso, Jank lembrou que o setor vem se debruçando sobre o Protocolo Agroambiental, com o compromisso de terminar com a queima da cana até 2014 e investir intensamente na preservação de matas ciliares. "A cana será a primeira atividade que irá trabalhar com o desafio do desmatamento zero". Outro ponto apontado pelo presidente da Unica foi o zoneamento nacional, que indica a proibição de plantação de cana em biomas sensíveis como a Amazônia e o Pantanal. "A Única criou uma aliança brasileira pelo clima, um grupo formado por quinze principais entidades nacionais ligadas à agricultura, florestas plantadas e bioenergia. Juntos eles representam 28% da matriz energética do País e contribuem com 16% das exportações totais do Brasil".

Em seguida, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, apresentou "Rede Paulista de Bioenergia". Cruz enfatizou três pontos estratégicos para direcionar o debate internacional e as pesquisas em bioenergia: redução das emissões de CO2, escassez das fontes de energia não renováveis e segurança energética. Além disso, destacou que o cenário brasileiro utiliza cerca de 46% da sua energia a partir de fontes renováveis "O avanço tecnológico permitiu que baixássemos, consideravelmente, os custos para a produção de combustíveis para um limite inferior ao que se gasta para produzir gasolina", lembrou. O diretor científico da Fapesp defendeu a importância da Rede Temática de Bioenergia USP. "O debate mundial sobre biocombustíveis é pautado hoje por resultados de pesquisas publicadas recentemente em veículos científicos de alta qualidade e essa reunião tem esse compromisso, de fornecer subsídios para essa discussão em nível global". Em relação à produção científica, Cruz apresentou um quadro positivo quando os temas são cana, etanol e biomassa, mas lembrou dos desafios para a pesquisa em bioenergia no Brasil. "Precisamos trabalhar a produtividade e sustentabilidade, produzindo ciência avançada em todos os níveis da pesquisa". Para isso, Cruz apontou que a Fapesp tem investido na rota científica e tecnológica, fomentando projetos do programa Pesquisa em Políticas Públicas, fortalecendo o BIOEN e buscando solidificar o Centro Estadual de Pesquisa, com sede nas três universidades públicas paulistas.

Gláucia Souza, Instituto de Química (USP), falou sobre "Biotecnologia aplicada ao melhoramento da cana-de-açúcar", abordando pesquisas que visam melhorar o rendimento de determinadas variedades de cana. Glaucia afirmou que o emprego de tecnologias, aliadas a técnicas de manejo, pode aumentar a produtividade. Além disso, as condições climáticas também devem ser consideradas nesse processo. "A plantação tem crescido no sul de Minas, Paraná, Centro Oeste, Nordeste, ou seja, tem se expandido para regiões do país onde a qualidade do solo e o clima seco exigem trabalhar o melhoramento adequado ao déficit hídrico", afirma Glaucia. A pesquisadora do Instituto de Química lembrou ainda que houve um pico de publicação de artigos sobre cana em 2001. "Até então a maioria eram norte americanos e hoje o Brasil assumiu essa liderança".

Antonio Augusto Franco Garcia (ESALQ) abordou "Aplicações dos marcadores moleculares no melhoramento da cana-de-açúcar". O professor do departamento de Genética da ESALQ fez uma introdução aos estudos de genética e melhoramento da cana a partir da aplicação de marcadores, destacando que existe uma preocupação constante por parte de pesquisadores para que o mapa genético da cana seja cada vez mais detalhado a partir da aplicação de softwares, aliada a abordagens estatísticas. "É essencial ter bons mapas uma vez que é necessário usar toda a informação para poder mapear QTLs".

Helaine Carrer (ESLAQ) falou sobre "Biotecnologia e eficiência fotossintética da cana-de-açúcar", fazendo uma perspectiva geral sobre o processo de fotossíntese, lembrando que sua eficiência é afetada pela temperatura, intensidade e qualidade da luz e concentração de CO2. Apresentou o potencial energético de variedades de cana que podem, a partir de pesquisas, aumentar sua produtividade. Carrer lembrou também que em algumas décadas a concentração de CO2 no ambiente irá aumentar substancialmente. Em termos de biotecnologia, as áreas de pesquisas se concentram em construção de mapas genéticos utilizando marcadores moleculares, cultura de células e tecidos e inserção de genes de interesse (transgênicos).

Na parte da tarde, acontecerão palestras com Marcio de Castro Silva Filho (ESALQ), Adilson Roberto Gonçalves (Escola de Engenharia de Lorena - USP), Carlos Labate (ESALQ), Igor Polikarpov (Instituto de Física de São Carlos - USP), Marcos Lutz (Vice-presidente comercial do Grupo Cosan), Sandro R. Marana (Instituto de Química da USP) e Paulo Seleghim (Escola de Engenharia de São Carlos - USP). Fonte: USP ESALQ / Alicia Nascimento Aguiar / Caio Albuquerque