Notícia

Jornal de Valinhos

USP desenvolve proteína para recuperar ossos

Publicado em 15 julho 2008

Novo biofármaco revolucionará tratamento de fraturas e de implantes dentários no país

Um pesquisa do Núcleo de Terapia Celular e Molecular (Nucel), da Universidade de São Paulo(USP), possibilitará a produção de um medicamento que revolucionará o tratamento de fraturas ósseas. Esse biofármaco brasileiro é produzido a partir de células de mamíferos. Trata-se da proteína BMP recombinante, que estimula a formação óssea e pode ser utilizada em reparos ósseos tanto em ortopedia como em odontologia. Milhões de pessoas com fraturas e traumas ósseos, decorrentes de osteoporos ou de problemas dentários serão beneficiadas com o biofármaco, que poderá chegar ao mercado brasileiro em cerca de dois anos.

Gastos

Nos Estados Unidos, estima-se que ocorram cerca de 2,6  milhões de fraturas em pacientes com mais de 65 anos. Os gastos com esses pacientes somaram US$ 19 bilhões somente no ano 2000, incluindo internação, encaminhamento de emergência e tratamento. Um estudo com 25 casos de fratura óssea persistente (que não se une), publicado em 2007  nos EUA, mostrou que o custo final de pacientes tratados com BMPs é duas vezes menor e o tempo de internação é 3,5 vezes menor.

Projeto

O biofármaco será elaborado a partir das proteínas formadoras de osso (BMP² e BMP7), utilizando-se células de ovário de hamster. O desenvolvimento deste biofármaco é fruto do projeto de pesquisa – tese de doutorado do pesquisador Juan Carlos Bustos Valenzuela -, que contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Finaciadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.

As proteínas sintéticas são produzidas por cinco empresas nos Estados Unidos e na Europa. No mercado americano, atualmente, a grama desta proteína pode custar até US$ 1,5 milhão.

Tratamento

Apesar dos benefícios dessa terapia, no Brasil, por enquanto, esse produto só pode ser obtido através de importação, levando os custos do tratamento com essas proteínas a serem muito superiores ao tratamento convencional, afirma a coordenadora do NUCEL, Maria Cleide Sogayar, orientadora da pesquisa. Para que haja uma boa aceitação pelo público brasileiro e pelo SUS, o preço final do biofármaco desenvolvido pelo NUCEL deverá ser bem menor do que das empresas americanas. Felizmente, o desenvolvimento já realizado pelo NUCEL com as BMPs recombinantes acabou atraindo a atenção de uma empresa farmacêutica nacional, que se interessou em levar avante esta proposta de transformar os produtos no NUCEL em remédios comercializáveis. Segundo Mari, a introdução deste biofármaco no mercado do país certamente permitirá melhor recuperação de fraturas e mais eficiência nos implantes dentários, devendo promover melhor qualidade de vida aos pacientes e economia de recursos ao SUS.