Notícia

IG

USP desenvolve método para detectar zika vírus mesmo depois da infecção

Publicado em 17 março 2016

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP desenvolveram um novo teste para diagnosticar infecções pelo zika vírus a partir da identificação de anticorpos específicos no sangue do paciente.

Este método permite diagnosticar com maior eficiência as pessoas infectadas pelo zika vírus, já que detecta a presença de anticorpos contra o vírus, mesmo após a eliminação do zika no organismo.

Após a validação laboratorial, o teste foi utilizado em amostras de sangue de mulheres do município de Itabaiana-SE, cidade com um dos maiores índices de microcefalia em relação ao tamanho da população no País. A metodologia desenvolvida pelo grupo permitiu confirmar que a maioria das oito mães de bebês com microcefalia é soropositiva para a infecção pelo Zika vírus, assim como seus filhos; dados que ainda não haviam sido confirmados por outros métodos de diagnóstico disponíveis.

“Com este método podemos demonstrar a especificidade da detecção do zika, superando uma deficiência séria dos sistemas sorológicos até agora disponíveis”, explica o professor Luís Carlos de Souza Ferreira, Vice-Diretor e coordenador do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do ICB.

Os pesquisadores evidenciam que a partir desta plataforma diagnóstica será possível obter dados mais precisos sobre o número de infecções por Zika vírus no País, e especialmente, obter confirmação de infecção por zika em gestantes, para que elas tenham o atendimento adequado.

O desenvolvimento desta metodologia envolveu o uso de técnicas de biologia molecular e resulta de parceria entre os Laboratórios de Desenvolvimento de Vacinas, Virologia Clínica e Evolução Molecular e Bioinformática do Departamento de Microbiologia do ICB, todos integrantes da Rede Zika, força-tarefa de pesquisadores paulista. A pesquisa contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os reagentes necessários para a realização do teste estão em produção emergencial e serão distribuídos gratuitamente para centros de pesquisa da Rede Zika e para demais laboratórios científicos do Brasil. A equipe busca parceria com o Instituto Butantan para que um novo kit diagnóstico seja produzido e distribuído a hospitais e bancos de sangue de todo o País.

Por Agência USP