Desde a década de 1950, especialistas apontam os benefícios da dieta mediterrânea, que é baseada na adição de alimentos frescos, peixes, azeite e vegetais na alimentação diária, para a longevidade. Mas vale ressaltar que, no Brasil, ela pode não fazer tanta diferença.
Afinal, de acordo com uma pesquisa realizada por cientistas do Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP), a diversidade de genes dos brasileiros já funciona por si só para prolongar a existência.
A bióloga molecular e geneticista Mayana Zatz, que foi uma das autoras do artigo, publicado recentemente na revista Genomic Psychiatry, explicou que o segredo está nas sequências genéticas e variantes de imunidade encontradas no DNA dos superidosos brasileiros.
Segundo ela, estas características não foram identificadas em nenhuma outra população do mundo até o momento. Por conta disso, o Brasil superou até mesmo países como o Japão e a Grécia, que já foram considerados “zonas azuis” de longevidade.
O artigo ainda destaca a importância da miscigenação para as condições observadas, sendo esta uma das principais influências para a diversidade genética do país. E vale ressaltar que, dentre as pessoas analisadas, algumas nunca aderiram a nenhum tipo de dieta ou nem mesmo recebem atendimento médico de alto nível.
Pesquisa da USP pode ter implicações médicas futuras
É importante destacar que o estudo conduzido pelos especialistas da USP serve não apenas para desvendar os segredos da longevidade dos supercentenários, mas também para abrir as portas para possíveis aplicações médicas dos resultados analisados.
Isso porque ele pode influenciar análises mais aprofundadas de genes, proteínas e processos celulares, bem como de marcadores biológicos que podem inspirar a criação de novos medicamentos ou até mesmo tratamentos para auxiliar no retardamento de doenças degenerativas.
No artigo, os cientistas defendem a ampliação dos investimentos no estudo dos supercentenários brasileiros, bem como a inclusão de seus genomas em consórcios internacionais de pesquisa. E quanto antes isso seja alcançado, é provável que resultados ainda mais promissores não demorem a aparecer.
João Carlos Gomes