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USP de Piracicaba terá centro de pesquisas e desenvolvimento de opções sustentáveis ao agrotóxico

Publicado em 11 fevereiro 2020

Por Rodrigo Pereira, G1 Piracicaba e Região

Com o objetivo de oferecer alternativas sustentáveis ao uso de agrotóxicos na agricultura e investimento previsto de R$ 40 milhões, um centro de controle biológico inédito no Brasil será inaugurado nesta terça-feira (11), na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

Os investimentos no São Paulo Advanced Research Center for Biological Control (SPARCBio) serão feitos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do programa Centros de Pesquisa em Engenharia e pela empresa holandesa Koppert e terão como contrapartida recursos da Esalq para infraestrutura de pesquisa e custos de pessoal.

Além disso, o centro terá como meta a transferência de conhecimento para a empresa e para a sociedade, realizando a interação com o sistema educacional, incluindo os níveis fundamental e médio.

Instituições que serão parceiras do centro:

  • Universidade Estadual Paulista (Unesp)
  • Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
  • Universidade Federal de Viçosa (UFV)
  • Embrapa
  • University of Minnesota (Estados Unidos)
  • University of California (Estados Unidos)
  • Institut National de la Recherche Agronomique/INRA (França)
  • University of Copenhagen (Dinamarca)

Como funciona?

  1. Em laboratório, pesquisadores avaliam macro ou micro-organismos (insetos, fungos, vírus ou bactérias, por exemplo) que possam controlar determinadas pragas em plantações
  2. Após a definição sobre qual agente utilizar, ele é solto naquela plantação
  3. Se for o fungo, vírus ou bactéria, por exemplo, ele é liberado como se fosse um inseticida
  4. Se for um inseto, há hoje em dia a possibilidade de soltá-lo com drone

A equipe do SPARCBio será liderada pelo professor José Roberto Postali Parra, um dos maiores especialistas em controle biológico no país. Ele explica que a parceria terá duração de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, e que o ineditismo está no fato de ser a primeira unidade no Brasil com conhecimento específico dessa área.

“O Brasil está em franco desenvolvimento hoje nessa área. Nos últimos anos já vem tratando 10 milhões de hectares com medidas biológicas. E, realmente, o Brasil está crescendo até mais que o mundo em termos de utilização de controle biológico para controle de pragas nas agricultura”, garante o professor.

Ele aponta, no entanto, que existem obstáculos para o avanço do segmento. “O Brasil é um país que tem uma tradição de químicos e isso é cultural, então logicamente que é um processo de aprendizado [...]. Vamos desenvolver pesquisas em diferentes áreas para que nós consigamos transferir ao agricultor um portfólio maior, um número de produtos cada vez maior que possa ser utilizado na agricultura”, afirma Parra.

Parra explica que o Brasil tem uma biodiversidade rica, o que leva à possibilidade de se pesquisar um número alto de agentes de controle biológico.

“A gente tem que estudar aspectos biológicos, estudar esses organismos de uma forma profunda de tal forma que a gente consiga transferir depois, por meio de uma empresa, a tecnologia gerada para o agricultor”, acrescenta.

Na fase inicial, o centro conta com uma equipe multidisciplinar de 23 pesquisadores brasileiros e estrangeiros divididos em projetos em cinco linhas de trabalho:

  • Prospecção de novos agentes de controle biológico;
  • Processos para produção e automação de macro e micro-organismos;
  • Novas formulações de micro-organismos (fungos, bactérias e metabólitos secundários);
  • Avaliação de riscos e benefícios do controle biológico;
  • Estratégias para utilização do controle biológico no manejo integrado de pragas (MIP).

Alternativa sustentável

Parra aponta que um dos principais atraentes para o controle biológico hoje é seu caráter sustentável.

“Cada vez mais o mercado internacional passa a ser exigente com relação a resíduos de produtos químicos. Não pode ter. Então, isso vem de encontro às exigências do mercado internacional. O Brasil, como grande exportador, para atender essas exigências tem que fazer modificações do que vem sendo realizado”, defende.

Ele observa que os produtos químicos sempre vão existir, mas que o preocupante é o seu uso irracional.

“Tem produtos no Brasil que não são mais utilizados no exterior, mas continuam aqui. Logicamente, com o tempo serão banidos do mercado, substituídos. É uma questão de tempo. Acho que sem ser muito radical, vai se chegar num momento que vai haver uma prevalência do controle biológico”, vislumbra.

Demanda

Outro desafio, segundo Parra, é a criação de grande quantidade de agentes biológicos para atender a demanda existente, o que deve receber o auxílio da tecnologia.

“É o caso da soja, que tem um problema sério do percevejo marrom, que é bem controlado pelo controle biológico, mas que não tem disponibilidade para todo mundo. Não tem jeito de oferecer controle biológico para 36 milhões de hectares. Então, você tem que ter um pouco de paciência, que isso vai chegar com o tempo”, exemplifica.

Segundo ele, o Brasil vem aumentando o interesse pelo assunto e movimentou no último ano R$ 500 milhões neste mercado. Foram utilizados elementos naturais em 10 milhões de hectares. “O Brasil, como se sabe se tornou líder em agricultura tropical nos últimos cinquenta anos. E temos tudo para nos tornarmos líderes em controle biológico”, garante o docente.

Ele explica que o desenvolvimento de agentes biológicos para uma região tropical é diferente de outros locais, já que um só agricultor tem dezenas de milhares de hectares com uma mesma cultura.

Desconhecimento e custos

Outro fator a ser enfrentado é o desconhecimento sobre o assunto. Uma das medidas adotadas pelo grupo de pesquisa será divulgar os novos métodos através de cursos em diferentes níveis dentro do País e fora dele.

“Existem alguns mitos e um deles é cultural: ‘Meu avô fazia assim, meu pai fazia assim, vou fazer assim’. O outro que existe é exatamente o custo. Existem vantagens ecológicas, as vantagens sociais quando você usa um produto biológico que o indivíduo não leva em consideração. Ele a priori já fala: ’se não for mais barato, não vou usar’. Isso tem que ser desmistificado”, afirma o chefe da SPARCBio.

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