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USP cria teste para detectar anticorpos contra o Zika Vírus

Publicado em 22 março 2016

Para ajudar a esclarecer a relação entre o zika vírus e a microcefalia, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) desenvolveram um método capaz de identificar a presença de anticorpos específicos contra o vírus em amostras de sangue.

Segundo Edison Luiz Durigon, um dos integrantes da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus em São Paulo, “esse teste vai indicar quantas dessas mães efetivamente tiveram a doença e se há anticorpos contra o vírus nos bebês microcefálicos. Além disso, vai nos dar uma noção do verdadeiro tamanho da epidemia e de como o vírus está se espalhando pelo país”.

O método consiste na produção da proteína NS1 do zika vírus, recombinada com a bactéria Escherichia coli modificada geneticamente. A partir deste momento, foi possível adaptar o método imunoenzimático conhecido como ELISA, usado para o diagnóstico de Aids, hepatite e rubéola.

Os primeiros testes foram realizados com amostras de pacientes de São Paulo e da cidade de Itabaiana (SE) – um dos municípios com maior índice de microcefalia em relação ao tamanho da população do país – e permitiram concluir que a maioria das oito mães de bebês com microcefalia é soropositiva para o vírus.

“Esses primeiros testes nos mostraram que o método é específico, não há cruzamento com anticorpos contra dengue ou febre amarela, que era nossa grande dúvida. Agora precisamos ver como o método vai funcionar na vida real. Já estamos em contato com a Fiocruz e com o Instituto Adolfo Lutz para eles testarem em seus pacientes”, afirmou Durigon.

Após a comprovação de que o método é eficaz, o grupo pretende distribuir gratuitamente a proteína – que será produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) – em um primeiro momento para todos os centros da Rede Zika e depois para a rede pública de saúde.

** Com informações da Agência Fapesp