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USP cria sistema de alerta de chuvas via SMS

Publicado em 11 março 2011

Os terremotos e tsunami que atingiram o leste do Japão hoje, sexta-feira, 11 de março, pode ter matado mais de mil pessoas, de acordo com estimativa da agência Kyodo, órgão oficial do governo japonês. No mesmo fatídico dia 11, porém de janeiro deste ano, as fortes chuvas e a enxurrada na Região Serrana do Rio de Janeiro matou mais de 900 pessoas.

Chuva na região Serrana do Rio de Janeiro.

Se no Japão ou nos Estados Unidos desastres naturais são velhos conhecidos, no Brasil, por décadas considerado livre deste tipo de catástrofe, está claro que a situação mudou. Aqui, diferentemente de outros países, ainda não estamos preparados para prever e contornar tempestades e enchentes.

Mas hoje, a agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) trouxe uma boa notícia, em meio às sucessivas atualizações da catástrofe no Japão. Pesquisadores da USP de São Carlos, com a colaboração do pesquisador alemão Torsten Braun, da Universidade de Berna, chegaram a um detector de chuvas interligado a um sistema de comunicação sem fio, capaz de alertar autoridades sobre chuvas e inundações iminentes.

No ano passado, Braun veio ao Brasil visitar o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP de São Carlos. O objetivo era auxiliar no projeto de um protótipo de detector de enchentes desenvolvido pelo professor Jó Ueyama, do ICMC.

O sistema conta com um sensor de pressão submerso na água, conectado por um cabo a um pequeno computador, instalado nas margens do rio. Quando o ní­vel do leito do rio sobe acima de determinado limite, o sensor capta este movimento e o computador envia, por meio de tecnologia sem fio, o aviso a uma estação base ' um computador com acesso à internet, localizado nas proximidades do rio. A estação dispara um alerta para a população que mora no entorno, via SMS, e para os sistemas de navegação GPS, para informar que determinadas regiões podem estar alagadas.

Esta primeira versão desenvolvida por Ueyama já com o apoio de Braun foi apresentada no início de 2010 e serviu de modelo para o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) de São Paulo aprimorar um modelo similar, que passou a incluir o alerta de enchentes à população via SMS.

Mas o equipamento, até então, não dispunha de um mecanismo que indicasse a ocorrência de chuvas. Braun apresentou uma solução para solucionar o problema: utilizar como indicador da ocorrência de chuva as barrinhas de sinal de rede sem fio que aparecem em notebooks. Explica-se: computadores portáteis com conexão à internet sem fio mostram na tela um ícone que indica a situação do sinal de rede ' mais barrinhas em verde, sinal mais forte.

A chuva interfere nesse sinal. Ou seja, quando começa a chover, o sinal diminui e isso pode ser verificado nas barrinhas na tela do computador. 'Durante as chuvas, as barrinhas costumam ficar muito baixas. Em função disso, podem ser utilizadas no detector de enchente para indicar quando o equipamento tem que entrar em operação', diz Ueyama.

Rio Tietê, na capital paulista, alagado.

O novo dispositivo será testado nas próximas semanas no córrego Tijuco Preto, que margeia o campus da USP, em São Carlos. O detector está sendo aprimorado também para identificar outros fenômenos como poluição ou deslizamentos de terra. Segundo Ueyama, a poluição pode ser avaliada por meio da condutividade elétrica da água. Quanto mais limpa estiver a água, menos eletricidade será capaz de conduzir. Quanto maior a condutividade elétrica medida, maior o grau de poluição.

Com Agência Fapesp