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Agência USP de Notícias

USP cria primeiro simulador com realidade virtual para treinamento em Pediatria

Publicado em 04 agosto 2002

Por Antonio Carlos Quinto
O Simulador de coleta de medula óssea, desenvolvido no LSI, possibilitará o treinamento de estudantes da área de Pediatria nos procedimentos de coleta de medula óssea em crianças Um novo sistema de realidade virtual que permite ao usuário, além da visualização em três dimensões, ter sensações de tato acaba de ser testado com sucesso no Instituto da Criança (ICr) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP. O Simulador de coleta de medula óssea é o primeiro sistema de realidade virtual para treinamento pediátrico do mundo. O software permitirá a estudantes de medicina, da área de pediatria, treinarem o procedimento de coleta de medula óssea de crianças. A tecnologia foi desenvolvida no Laboratório de Sistema Integráveis (LSI) da Escola Politécnica da USP com a colaboração do Departamento de Pediatria do ICr. Instalado num computador comum, o simulador mostra ao usuário um modelo virtual da bacia de uma criança. A utilização de óculos especiais possibilita a visualização em três dimensões. Além disso, o simulador oferece ao usuário sensação de toque durante a manipulação do modelo. "Isso é possível porque sistema é dotado de um dispositivo háptico", explica Liliane dos Santos Machado que defendeu a tese de doutorado A realidade virtual no modelamento e simulação de procedimentos evasivos em oncologia pediátrica: um estudo do caso transplante de medula óssea no LSI da Poli. O dispositivo háptico é um robô conectado ao computador que permite ao usuário sentir e tocar os objetos visualizados. "As propriedades da 'bacia virtual foram calibradas por médicos do Departamento de Pediatria do ICr. O dispositivo é o objeto com o qual o usuário interage com o modelo e a força de resistência sentida durante essa interação é que proporciona a sensibilidade à textura e elasticidade. É como se o usuário estivesse tocando a pele de uma criança de verdade", descreve Liliane. O simulador apresenta o modelo virtual em três situações. Na primeira, mostra a região em três dimensões totalmente transparente; em seguida, com a operação do dispositivo háptico, pode-se tocar o modelo; na terceira etapa, é possível injetar a "agulha virtual" em busca da crista do osso ilíaco, local adequado para a retirada da medula óssea. SEM COBAIAS Com o sistema de realidade virtual, os estudantes não mais precisarão usar cobaias para treinar. "Atualmente, os estudantes usam porquinhos comprados em açougues para seus treinamentos", conta Liliane. Segundo ela, a textura da pele e dos ossos desses animais são muito diferentes da dos bebês. A pesquisadora estima que no Instituto da Criança seja feita por mês, em média, de uma a duas operações para retirada de medula. A substância é utilizada para o tratamento de vários tipos de doenças, como o câncer por exemplo. Além de não mais utilizar os animais, o sistema de realidade virtual permitirá maior usabilidade e disponibilidade no treinamento. "O software é importante para o treinamento de procedimentos que exijam maior sensibilidade tátil e destreza do médico", assegura a pesquisadora. "O simulador abrirá caminhos para novas possibilidades de aplicação da realidade virtual em medicina, inclusive para outros procedimentos como biópsias e transplantes diversos." Desenvolvido com apoio da FAPESP e da FINEP e concluído em dezembro de 2002, o software já foi testado e aprovado por médicos do ICr. Mas, para que seja colocado em uso, ainda necessita de testes complementares. Segundo Liliane, a instalação do sistema é possível com um investimento de cerca de US$ 15 mil. "Basta que tenhamos um PC, com um mínimo de 256 de memória RAM, equipado com placa gráfica, óculos 3D e o dispositivo háptico", estima a pesquisadora.