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USP comprovou que pessoas em isolamento (confinamento) são mais vulneráveis à Covid-19 #boato

Publicado em 17 agosto 2020

Boato – USP causou reviravolta após comprovar que pessoas em confinamento (isolamento) são mais vulneráveis à Covid-19.

Já se passaram quase cinco meses desde o início do isolamento social no Brasil. Apesar da quarentena ter sido respeitada no começo, hoje a situação é bem diferente. Várias cidades já adotaram medidas de flexibilização do isolamento e, com isso, mais gente está circulando nas ruas.

Quem dera que essas medidas estivessem sendo adotadas somente em lugares que estão controlando a doença. Infelizmente, as mesmas medidas também estão sendo aplicadas em municípios onde o número de casos e mortes por Covid-19 estão em crescimento.

Como já era de se esperar, o número de fake news sobre o isolamento social no Brasil também voltou a crescer. Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com uma publicação que está circulando nas redes sociais, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) teria comprovado que pessoas em confinamento seriam mais vulneráveis à contaminação por Covid-19. “REVIRAVOLTA: USP COMPROVA QUE PESSOAS EM CONFINAMENTO SÃO MAIS VULNERÁVEIS A CONTAMINAÇÃO POR COVID”, diz a publicação.

USP comprovou que pessoas em isolamento (confinamento) são mais vulneráveis à Covid-19?

A informação causou burburinho nas redes sociais, especialmente, por se tratar de uma instituição de ensino renomada e de referência para o país e para o mundo. Mas será que essa história de que a USP teria comprovado que o confinamento (isolamento) deixa as pessoas mais vulneráveis à infecção por Covid-19 é real? Não é.

Vamos aos detalhes! Basta uma leitura rápida no texto para perceber que ele apresenta diversas características de fake news, como o caráter vago e extremamente alarmista.

Além disso, não é de hoje que histórias falsas sobre o isolamento social começaram a surgir na internet. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que pesquisadores de Harvard teriam constatado que o isolamento social é pior para conter o avanço do coronavírus. Também a que indicava que um porta-voz da OMS teria afirmado que a Organização Mundial da Saúde é contra o isolamento e nunca recomendou a quarentena e, por fim, a que apontava que a OMS teria mudado o discurso e admitido que o isolamento social aumenta a contaminação por Covid-19.

Ao buscar pela pesquisa em questão, descobrimos que o estudo não tem absolutamente nada a ver com o que está sendo divulgado pela publicação. O estudo foi organizado pela startup Omni-electronica em conjunto com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e foi divulgada no dia 16 de agosto de 2020. A pesquisa constatou que micropartículas contendo o novo coronavírus, expelidas pelas pessoas enquanto falam, tossem ou espirram, permanecem suspensas no ar. O estudo apontou que o monitoramento da qualidade do ar e a ventilação de espaços fechados deve ser levada em consideração no momento de reabertura dos locais.

A startup Omni-electronica está incubada Centro de Inovação, Ciência e Tecnologia (Cietec), ligado à Universidade de São Paulo e ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Como é possível ver, a pesquisa não fala nada sobre confinamento no sentido de isolamento social. Ela apenas mostra a importância da ventilação em ambientes fechados (e, em certa medida, também o uso de máscaras, uma vez que o vírus pode permanecer suspenso no ar).

Vale ressaltar também que, ao contrário do que aponta a história de hoje, estudos realizados na Universidade de São Paulo (USP) mostram a importância do isolamento social no país. Uma pesquisa coordenada pelo Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), que contou com a participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, mostrou que o isolamento social no Brasil reduziu pela metade a transmissão da Covid-19.

A pesquisa foi publicada no dia 23 de julho de 2020 na revista Science, um dos periódicos científicos mais renomados no mundo. De acordo com o estudo, mesmo adotado que o vírus se espalhou no país, o isolamento social foi capaz de reduzir a taxa de transmissão de 3 para 1,6 contaminados por pessoa infectada. Isto é, uma pessoa infectada passou a contaminar 1,6 pessoas em vez de 3.

Por fim, o serviço de fact-checking e-Farsas também desmentiu toda a história de hoje. De acordo com ele, a USP nunca realizou uma pesquisa indicando a vulnerabilidade de pessoas em isolamento à contaminação por Covid-19.

Em resumo: a história que diz que a USP comprovou que pessoas em confinamento (isolamento) são mais vulneráveis à contaminação por Covid-19 é falsa! O estudo em questão não avaliou se pessoas em isolamento estariam mais vulneráveis a se contaminar pela Covid-19, mas sim sobre a qualidade do ar em espaços fechados. A pesquisa identificou que micropartículas com o novo coronavírus conseguem permanecer suspensas no ar. Com isso, o estudo reforça a importância de manter lugares fechados bem ventilados para evitar a transmissão da Covid-19. Vale ressaltar que outro estudo envolvendo a USP mostrou a importância do isolamento social, identificando que, graças ao isolamento, a taxa de transmissão foi reduzida pela metade no Brasil. Ou seja, a história não passa de balela. Não compartilhe!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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