Notícia

Gazeta Mercantil

USP amplia área para incubadora

Publicado em 15 agosto 2000

Por Íris de Oliveira - São Paulo
Há dois anos, quando a contadora Laura Oliveira e seu sócio, o engenheiro de materiais Francisco Braga se uniram para produzir implantes dentários, não imaginavam que criariam uma linha de oito produtos no setor de biomateriais, responsável por um faturamento mensal de R$ 25 mil e atendimento a 200 clientes espalhados pelo País. Da mesma maneira, o físico Spero Morato não contava que em tão pouco tempo desenvolveria uma carteira com 40 clientes interessados em cortes a laser. Nos dois casos, os novos empreendimentos, tanto a Pro-Line Serviços e Produtos Odontológicos quanto a LaserTools, são frutos do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec). Os resultados do programa-piloto instalado em 88. que envolveu 14 empresas, vem gerando tão bons resultados que motivou a abertura de 119 novas vagas. A área inicial de 1.300 metros quadrados localizada no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), no campus da Universidade de São Paulo (USP), está sendo expandida para 3.900 metros quadrados para dar mais espaço para os novos empreendedores desenvolverem projetos em prazo de até três anos. O principal critério para a seleção são propostas inovadoras em pesquisas para produtos com alta tecnologia nas áreas de biotecnologia, biomedicina. Química, meio ambiente, tecnologia de informação, materiais, técnicas nucleares e softwares especiais. Em segundo plano entra a viabilidade comercial do novo produto no mercado. Um bom exemplo são as pesquisas em software e hardware desenvolvidas no centro com vistas à produção do carro movido a hidrogênio, projeto que vem sendo desenvolvido pelas grandes montadoras. Algumas multinacionais estão acompanhando de perto as pesquisas e podem vir a utilizar parte desta tecnologia no projeto do carro que produz apenas vapor d'água como resíduo. Os projetos tem que ter características empresariais e todo capital inicial é bem-vindo. Em módulos de 40 a 50 metros quadrados, as idéias são desenvolvidas com apoio de pesquisadores das instituições conveniadas até virarem protótipos. Os custos iniciais, das instalações até um protótipo, variam de acordo com cada proposta. A empresa que ganha um módulo no centro tem que ter um técnico acompanhando diariamente as pesquisas ou o próprio empreendedor. Uma novidade para estas novas inscrições é a pré-incubação. Neste caso, o interessado que tem uma boa idéia, mas não tem dinheiro para dar início ao projeto, recebe consultoria técnica para ir montando a estrutura necessária em um período de um ano, com direito a um espaço de 9 metros quadrados. A exigência é de comparecer ao local pelo menos uma vez por semana. Para a contadora Laura Oliveira, da Pro-Line, a idéia inicial que deu origem a empresa foi os implantes dentários imediatos. O intuito era desenvolver implantes capazes de serem empregados logo em seguida a extração dos dentes. Por falta de recursos financeiros, o projeto ficou engavetado até recentemente e está saindo do papel só agora, graças a liberação da bolsa de R$ 48 mil da Fapesp. Para não deixar parado seu ' modulo no centro, sua equipe desenvolveu a linha de produtos de biotecnologia. "A incubadora possibilitou desenvolver meus produtos a um custo baixo e ter acesso a laboratórios", diz Laura, que gastou R$ 25 mil na instalação do módulo. Já Morato, da LaserTools, conta que está faturando cerca de R$ 12 mil mensais com suas soluções para segmentos que precisam de corte a laser. "Descobrimos nichos de" mercado onde podíamos aplicar nossa técnica", diz. Projetos recebem ajuda financeira da Fapesp As bolsas de apoio, como as da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), costumam ser um forte incentivo para os empreendedores. Das 14 empresas incubadas, 10 têm apoio financeiro da Fapesp, com bolsas de até R$ 200 mil. O Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) foi criado por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP), a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). O setor que mais ganhou espaço no centro foi o de informática. Do total de 119 vagas, 29 são reservadas às empresas de criação de softwares. Empresas que já atuam no mercado também poderão participar da seleção. A retirada do edital para participar da seleção deve ser feita até 31 de agosto no prédio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na Cidade Universitária. As propostas serão recebidas até 11 de setembro. Nesta etapa, serão pré-selecionados os candidatos que participarão de um workshop, de 4 a 16 de outubro. Até o dia 30 de outubro as propostas finais deverão ser encaminhadas, com apresentação do plano de negócios. Os resultados serão divulgados até 31 de dezembro para o preenchimento de 64 vagas na primeira fase, e no dia 32 de março de 2001, para outras 55 vagas, em uma segunda fase. Segundo o gerente do Cietec, Sérgio Risola, é comum aparecerem empresários com capital e uma boa idéia, mas sem respaldo científico para elaborar seus planos. O inverso também ocorre, com profissionais do meio acadêmico sem preparo mercadológico. "A incubadora é capaz de transformar cientistas em empresários e vice-versa", afirma Risola.