Notícia

Jornal do Comércio (RS)

USP Abrirá laboratório aos 1.000 melhores alunos das rede pública

Publicado em 29 junho 2006

A Universidade de São Paulo (USP) pretende abrir seus laboratórios a jovens de escolas públicas. Os 1.000 melhores alunos do ensino médio devem ser seleciona cada ano, para ter aulas práticas na instituição. Eles receberiam uma bolsa de menos de um salário mínimo por atividades durante, pelo menos oito horas semanais.
A idéia que uma espécie de pré-iniciação científica - é de uma das maiores cientistas do País e atual pró-reitora de Pesquisa da USP, Mayana Zatz. O Centro de Estudos do Genoma Humano, laboratório que coordena, seria um dos abertos aos estudantes. Segundo ela, o projeto está sendo finalizado na próxima semana e será entregue à Fundação de Amaro à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que poderão financiar as bolsas.
O objetivo é que ele comece a funcionar já no segundo semestre. "Além de verem como é a pesquisa na prática, os alunos podem perder a idéia de que o mundo da universidade é algo muito distante deles. Conhecerão alunos, professores, doutores", diz Mayana. Estudos mostram que muitos jovens de escolas públicas nem sequer participam da Fuvest porque não tem nenhuma es esperança de ter êxito.
O projeto, chamado de Programa de Apoio ao Ensino Médio/Pré-Iniciação Científica, segue mesma linha do Inclusp, divulgado no mês passado, pela instituição. A partir deste ano, estudantes de escolas públicas terão bônus de 3% nas suas notas, na primeira e na segunda fase da Fuvest. A intenção da USP é de aumentar o índice atual de cerca de 20% de jovens da rede estadual que ingressam na instituição.
Mayana diz que outro objetivo do projeto é o de ajudar no ensino de ciência das escolas, hoje precário em vários países do mundo. Neste ano, o maior exame internacional de estudantes, o Pisa, vai focar suas questões em ciência. Mayana lembra que, mesmo quem não vai seguir a carreira científica, aprende muito fazendo pesquisa. 'Ela estimula o raciocínio do aluno e o questionamento de dados, por exemplo", diz.
"Esse tipo de programa é interessante para.a universidade e para o País. Há jovens pobres muito inteligentes que não têm oportunidade",. diz o diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz. Segundo ele, a entidade já financiou bolsas de um programa semelhante que existe na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).