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Uso de laser ajuda a diferenciar os tecidos sadios dos alterados pela doença

Publicado em 20 dezembro 2005

Quando precisam diferenciar com exatidão se um tecido é sadio ou tem câncer, os médicos geralmente recorrem à biópsia. Retiram um pedaço do material suspeito e o enviam para um exame laboratorial, que dirá, com um determinado grau de confiabilidade, se a amostra contém células tumorais ou não e de que tipo elas são. Em breve, é possível que os profissionais da saúde contem com um outro aliado para fechar o veredicto, a chamada espectroscopia de fluorescência, nome técnico para o uso de um feixe de laser no diagnóstico de doenças, em especial de tumores.
Experimentos feitos por pesquisadores do IFSC/USP (Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo) indicam que a metodologia consegue distinguir de forma rápida, não-invasiva e confiável um tecido normal de outro com câncer — pelo menos se o paciente for um hamster e o órgão afetado pela doença for a língua. "Nos roedores, nosso grau de acerto no diagnóstico de tumores nesse órgão é de 96%, um resultado muito bom", afirma o físico Vanderlei Salvador Bagnato, coordenador dos estudos com a nova técnica e do Cepof (Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica) do IFSC/USP, que, ao lado do Cepof da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), forma um dos dez Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão pela FAPESP.
Testes - Os testes com o equipamento de fluorescência, uma fina cânula ou lanterna que emite um feixe de laser sobre a área a ser analisada e absorve a luz devolvida pelo tecido biológico, foram feitos em 72 roedores. Alguns animais eram sadios, outros tinham câncer em diversos graus de desenvolvimento e havia os que estavam em estágio terminal. Os bichos eram examinados a cada duas semanas com o equipamento e foram acompanhados por cinco meses.
Por ora, o diagnóstico fornecido por essa abordagem consegue apenas separar os roedores em dois grandes grupos: os que têm câncer e os que não têm. O método, que ainda precisa ser refinado, não é capaz de discriminar se um tumor se encontra em estágio inicial, intermediário ou avançado, nem fornecer o seu grau de agressividade. "Cada tipo de lesão celular tem características comuns e diferentes de outras formas de lesão", afirma a dentista Cristina Kurachi, que conduziu o trabalho com os ratos e concluiu o doutorado em óptica em São Carlos. "No momento, queremos entender o que há em comum nas respostas ópticas fornecidas por qualquer tipo de tumor de língua". Há ainda estudos, em estágio preliminar, sobre o uso do laser para identificar tumores de pele, também em hamsters.

Agência Fapesp