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Uso de grafeno abre possibilidades no tratamento de Alzheimer e Parkinson

Publicado em 15 março 2017

Uma pesquisa desenvolvida na Unicamp, em Campinas (SP), com o grafeno, um nanomaterial da família do carbono, abriu novas possibilidades no tratamento de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. O estudo foi realizado pela farmacêutica bioquímica Monique Culturato Padilha Mendonça, no Instituto de Biologia da universidade, durante o doutorado.

A pesquisadora iniciou os testes com o grafeno em laboratório, no entanto, o material era muito difícil de trabalhar por suas características físico-químicas. Então, pensamos nos derivados, que seriam o óxido de grafeno e o óxido de grafeno reduzido, já que os dois relatam que têm efeito que estimulariam os neurônios [...] A gente queria ter algum mecanismo que pudesse ajudar na recuperação de neurônios e ao mesmo tempo, permitir que fármacos que não estão sendo usados no tratamento dessas doenças pudessem chegar no sistema nervoso central, explica.

Ele abre a barreira hematoencefálica. Então, além dele permitir que um fármaco usado no tratamento dessas doenças chegue em maior quantidade no sistema nervoso central, a presença dele em si no cérebro já ajuda na recuperação desse neurônio

Testes

A partir de testes, a pesquisadora conta que o estudo chegou a conclusão que seria melhor usar o óxido de grafeno reduzido (rGO), que promove uma abertura transitória da barreira hematoencefálica, estrutura que protege o sistema nervoso central.

Ele abre a barreira hematoencefálica. Então, além dele permitir que um fármaco usado no tratamento dessas doenças chegue em maior quantidade no sistema nervoso central, a presença dele em si no cérebro já ajuda na recuperação desse neurônio, afirma a pesquisadora.

Tratamento de doenças

A descoberta abriu perspectiva para o uso do rGO como carreador de fármacos para o tratamento de doenças neurodegenerativas. Tem muita coisa que poderia estar sendo usada e não está sendo porque ela fica só na periferia e a quantidade que fica no cérebro é pequena, destaca.

Segundo Monique, poucos grupos no Brasil trabalham com barreira hematoencefálica, tanto que parte da pesquisa de doutorado teve que ser desenvolvida na Hungria. O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Nos últimos anos, o pessoal, por conta de questões éticas, vem diminuindo o uso de animais, mas no nosso caso não tem como a gente fugir, porque a única forma de saber que uma coisa que você toma por via oral ou se você leva uma injeção chega ao cérebro é num animalzinho. A gente trabalha com rato, detalha.

Próximos passos

Monique explica que o próximo passo é testar não um fármaco, mas um antioxidante, que pode ser tomado por via oral. A gente vai fazer uma associação desse antioxidante com o óxido de grafeno reduzido para ver se em um animal que tem esclerose, se a gente tem uma melhora, pontua.

A gente está falando de dois a quatro anos ainda de testes em animais e aí uns seis anos para os primeiros testes em pessoas

A pesquisadora revela que o foco do estudo é melhorar a qualidade de vida das pessoas que têm essas doenças.

Você tem um animal que tem a doença e junto com a doença eu vou tratando ele. Mas, o que a gente está fazendo a longo prazo é o contrário. É pegar um animal que tenha a doença, tratar ele e submeter ao teste de labirinto, que avalia cognição e memória para ver se eu tenho uma melhora. A gente sabe que reverter é muito complicado, mas pelo menos melhorar o quadro, argumenta.

A especialista destaca que depois dos testes em cobaias animais, a etapa seguinte é começar a fazer experimentos em humanos. A gente está falando de dois a quatro anos ainda de testes em animais e aí uns seis anos para os primeiros testes em pessoas, conclui.