Notícia

Jornal de Piracicaba online

Usina fará álcool com palha

Publicado em 17 fevereiro 2007

Uma pesquisa iniciada pela Dedini há 20 anos está na reta final de preparação para ser lançada no mercado e revolucionar a produção de álcool. Em um intervalo de dois a quatro anos, a Dedini promete comercializar as primeiras unidades equipadas com tecnologia capaz de extrair etanol a partir da celulose da palha e do bagaço da cana-de-açúcar. No auge da operação a nova tecnologia, batizada de DHR (Dedini Hidrólise Rápida) poderá produzir o dobro de álcool com a mesma quantidade de cana-de-açúcar.

A projeção para que o equipamento seja revendido em escala comercial é do vice-presidente de operações da Dedini Indústrias de Base, José Luiz Olivério, um dos idealizadores da pesquisa, no início da década de 80. Desde então, os estudos passaram por várias fases, sendo mantidos inclusive na época de "vacas magras" do álcool.

Inicialmente foi montado um pequeno laboratório, depois uma unidade piloto, com capacidade para produzir 100 litros/dia. Atualmente, a pesquisa está sendo feita em uma Unidade de Desenvolvimento do Processo (UDP), em Pirassununga, cuja produção é de 5.000 litros/dia.

Olivério classifica a próxima etapa como "início da solução comercial", quando o experimento passará a produzir 50 mil litros de álcool/dia. "Esse volume será aumentado gradativamente, à medida que o conhecimento aumentar", disse.

Além da Dedini, a Copersucar e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo) fazem parte do projeto conjunto para desenvolvimento da nova tecnologia.

TECNOLOGIA — Segundo Olivério, em termos energéticos a cana-de-açúcar é dividida em três partes: caldo, bagaço e palha. Cada uma delas têm um terço do potencial total de produção de energia. Em outras palavras, o processo atual dispensa dois terços do potencial da matéria-prima.

O vice-presidente de operações da empresa explica que a biomassa da cana é formada por três partes: hemicelulose, celulose e liginina. A primeira etapa da DHR é transformar a celulose e a hemicelulose em açúcares, por meio de hidrólise. Em seguida os açúcares passam pelos processos de fermentação e destilação até se transformarem em etanol.

O pesquisador Carlos Rossell, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp (Universidade de Campinas), afirma que nos estudos o método de hidrólise é ácido, com emprego de solvente à base de etanol e água.

Ou seja, a produção está sendo conduzida de modo a eliminar os solventes derivados do petróleo, apostando em um componente ambientalmente correto. Rossell é consultor da Dedini e atua na pesquisa.

Olivério afirma que a DHR está registrada como patente internacional pela Dedini. "Outras empresas podem desenvolver métodos diferentes para extrair o etanol (da palha e do bagaço), mas a tecnologia DHR é exclusiva da Dedini", disse.

INVESTIMENTO — Rossell afirma que a partir do momento que estiver pronta para ser comercializada em larga escala, a DHR necessitará de investidores que acreditem na nova tecnologia. "Há pesquisas no mundo todo (sobre a extração de etanol a partir da celulose) e por outros grupos do Brasil. Pretendemos sair na frente".

O vice-presidente de operações da Dedini estima que o investimento inicial para um usineiro que quiser elevar em 40% a produção de álcool, utilizando a mesma quantidade de cana, será de cerca de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões, o equivalente a 20 % do total de investimento em um usina completa.