Notícia

Portal da Presidência da República

US$15 bi para salvar florestas

Publicado em 04 novembro 2008

Por Soraya Aggege

O economista britânico Nicholas Stern, coordenador do Relatório Stern, que calculou o impacto das mudanças climáticas para a economia mundial, afirmou ontem que a redução de 50% do desmatamento em todo o planeta custaria cerca de US$15 bilhões por ano. Stern disse que se o Brasil conseguir reduzir o desmatamento, conquistará mais apoio financeiro internacional para projetos ambientais. O economista participou ontem de um debate com cientistas brasileiros na Fapesp (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo).

- O país pode conseguir mais ajuda para os seus projetos ambientais - afirmou Stern, que foi economista-chefe do Banco Mundial e ex-conselheiro do governo britânico.

O economista afirmou que para conseguir atingir seus objetivos os governos não poderão mais deixar as mudanças climáticas por conta dos ministérios de Meio Ambiente, mas tratar o tema com pastas como Casa Civil, Agricultura e Desenvolvimento e Fazenda. Ele acha fundamental associar clima e desenvolvimento:

- Falar em financiamentos para o desenvolvimento sem considerar as mudanças climáticas em curso no planeta é simplesmente tolice. É preciso discutir as políticas de desenvolvimento já dentro de um clima mais hostil, que é a nossa realidade - afirmou Stern.

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (Inpe), que participou do encontro, disse que a economia do desmatamento no Brasil é "ridiculamente precária" e não tem sentido o país continuar desmatando. Segundo Nobre, embora 55% das emissões de gases do Brasil sejam provenientes do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, essa ação gera somente 1% do PIB nacional.

Custos do clima já dobraram

Ele explicou ainda que o gado da Amazônia e do Cerrado (o rebanho bovino brasileiro é responsável por 15% das emissões) já está incluído nas emissões da agropecuária, de 25%.

- Não existe nada menos ambientalmente sustentável do que o desmatamento - disse Nobre.

Durante o debate, Stern reafirmou que os custos com o aquecimento global hoje já são mais que o dobro do previsto em seu relatório, concluído há exatos dois anos. O motivo é que as mudanças climáticas estão ocorrendo mais rapidamente do que o previsto e as emissões só têm aumentado.

A previsão do Relatório Stern era de que o mundo gastaria 1% do PIB se agisse logo no combate ao aquecimento global. No final de junho deste ano, Stern alertou que os custos dobraram, pois nada foi feito e as emissões cresceram. Segundo ele avaliou ontem, já está claro que a capacidade de adaptação do planeta é menor do que a imaginada e os impactos econômicos poderão chegar a 2% do PIB mundial.

Para Stern, a crise financeira mundial é uma prova clara de que "o risco ignorado acaba amplificado". Ele disse que é preciso estabilizar a concentração de CO2 não mais em 500 ou 550 partes por milhão, mas em 450 partes por milhão. Mesmo assim, frisou que não é a quantidade ideal, porém a mais viável. E destacou que as emissões de gases de efeito estufa farão a temperatura subir 2 ou 3 graus Celsius até 2050 e 5 graus até o início do próximo século. O prejuízo estimado no relatório foi de 20% do PIB até 2050. Stern disse que poderá ser muito maior.

Os cientistas já estimam que a cada 10 anos que se adia cortar as emissões as temperaturas sobem meio grau Celsius. Stern afirmou ainda que com a crise financeira mundial, a situação se agravou. Para ele, a saída será o diálogo mundial combinado com a pressão política.

- Essa crise ambiental não veio do nada. Não foi desastre natural, foi causada por homens.