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Nicomex Notícias

US$ 15 bi para salvar florestas

Publicado em 06 novembro 2008

O economista britânico Nicholas Stern, coordenador do Relatório Stern, que calculou o impacto das mudanças climáticas para a economia mundial, afirmou no início deste mês que a redução de 50% do desmatamento em todo o planeta custaria cerca de US$ 15 bilhões por ano. Stern disse que se o Brasil conseguir reduzir o desmatamento, conquistará mais apoio financeiro internacional para projetos ambientais. O economista participou de um debate com cientistas brasileiros na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “O país pode conseguir mais ajuda para os seus projetos ambientais” - afirmou Stern, que foi economista-chefe do Banco Mundial e ex-conselheiro do governo britânico.

De acordo com ele, para conseguir atingir seus objetivos os governos não poderão mais deixar as mudanças climáticas por conta dos ministérios de Meio Ambiente, mas tratar o tema com pastas como Casa Civil, Agricultura e Desenvolvimento e Fazenda. Ele acha fundamental associar clima e desenvolvimento. “Falar em financiamentos para o desenvolvimento sem considerar as mudanças climáticas em curso no planeta é simplesmente tolice. É preciso discutir as políticas de desenvolvimento já dentro de um clima mais hostil, que é a nossa realidade” - afirmou Stern.

O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participou do encontro, disse que a economia do desmatamento no Brasil é “ridiculamente precária” e não tem sentido o país continuar desmatando. Segundo Nobre, embora 55% das emissões de gases do Brasil sejam provenientes do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, essa ação gera somente 1% do PIB nacional.

Ele explicou ainda que o gado da Amazônia e do Cerrado (o rebanho bovino brasileiro é responsável por 15% das emissões) já está incluído nas emissões da agropecuária, de 25%. Não existe nada menos ambientalmente sustentável do que o desmatamento.

Durante o debate, Stern reafirmou que os custos com o aquecimento global hoje já são mais que o dobro do previsto em seu relatório, concluído há exatos dois anos. O motivo é que as mudanças climáticas estão ocorrendo mais rapidamente do que o previsto e as emissões só têm aumentado. A previsão do Relatório Stern era de que o mundo gastaria 1% do PIB se agisse logo no combate ao aquecimento global. No final de junho deste ano, Stern alertou que os custos dobraram, pois nada foi feito e as emissões cresceram. Segundo ele avaliou ontem, já está claro que a capacidade de adaptação do planeta é menor do que a imaginada e os impactos econômicos poderão chegar a 2% do PIB mundial.

Para Stern, a crise financeira mundial é uma prova clara de que “o risco ignorado acaba amplificado”. Ele disse que é preciso estabilizar a concentração de CO2 não mais em 500 ou 550 partes por milhão, mas em 450 partes por milhão. Mesmo assim, frisou que não é a quantidade ideal, porém a mais viável. E destacou que as emissões de gases de efeito estufa farão a temperatura subir 2 ou 3 graus Celsius até 2050 e 5 graus até o início do próximo século. O prejuízo estimado no relatório foi de 20% do PIB até 2050. Stern disse que poderá ser muito maior.