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Universo: telescópio detecta explosão mais distante

Publicado em 13 setembro 2005

É noite de 4 de setembro de 2005 na cidade chilena de La Serena, situada na parte do deserto de Atacama que se encontra com o Pacífico. O astrônomo brasileiro Eduardo Cypriano recebe um telefonema de pesquisadores dos Estados Unidos. Eles queriam a observação específica de um fenômeno que havia sido identificado por um dos satélites da Nasa, a agência espacial norte-americana, desenhado especialmente para detectar explosões de raios gama.
"Um pouco depois de ter coletado a primeira imagem, ficou claro que se tratava de resultados surpreendentes", relembra Cypriano, que trabalhou naquela noite, e nas seguintes, em conjunto com Daniel Reichart e Joshua Haislip, ambos da Universidade da Carolina do Norte. "Elysandra Figueredo, também brasileira, participou fornecendo imagens de calibração, o que foi decisivo para a rapidez da obtenção dos resultados", diz.
Os pesquisadores trabalham no telescópio Soar, sigla em inglês para Observatório Austral para a Pesquisa em Astronomia, que contou com financiamento de diversas instituições para sua construção, como a FAPESP.
A surpresa do grupo, que veio por meio das lentes poderosas dos telescópios montados no alto dos Andes chilenos, foi estar diante de um fenômeno astronômico que ocorreu quando o universo tinha apenas 700 milhões de anos de idade. Isso significa que o objeto que explodiu - ainda não se sabe ao certo o que originou os raios gama - está entre os mais distantes já observados até hoje pelo olho humano. A explosão, denominada GRB 050904, ocorreu a uma distância de aproximadamente 13 bilhões de anos-luz da Terra.
"O Soar foi decisivo nessa descoberta, pois com ele é possível ver no infravermelho. Outros telescópios observaram a mesma região anteriormente e tentaram detectar a explosão pela luz visível, mas não conseguiram. O objeto está muito distante e se afasta a uma velocidade incrível, por conta da expansão do Universo. E, por isso, a parte mais brilhante do seu espectro se deslocou para o infravermelho", disse Cypriano, que está no Chile desde janeiro de 2004.
O pulso de raios gama descoberto pelo Soar bate o recorde de mais distante já observado. Antes desse registro, a explosão mais antiga já identificada teria ocorrido quando o Universo tinha 1,1 bilhão de anos. Os astrônomos acreditam que o fenômeno deve marcar a morte de uma estrela de alta massa e o nascimento de um buraco negro. O que surpreende é o fato de uma única estrela poder gerar tanta energia, que pode ser vista ao longo de todo o Universo. A descoberta está sendo considerada um avanço fundamental no estudo do Universo primordial.

Agência Fapesp