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Correio Popular online

Universidades unem forças para o combate ao zika

Publicado em 05 fevereiro 2016

Por Camila Ferreira

Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que se mobilizam desde dezembro para a realização de pesquisas sobre o zika vírus, assim como Aedes aegypti, se reuniram com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) para consolidarem a Rede Zika Vírus. Os pró-reitores das três instituições, professores Gláucia Pastore, da Unicamp, José Eduardo Krieger, da USP e Maria José Giannini, da Unesp, formalizaram o grupo na última quarta-feira (3).

De acordo com Gláucia, a força-tarefa foi montada para que as ações que cada instituição vem desenvolvendo em relação a doenças virais transmitidas pelo mosquito fossem integradas e para que os especialistas se conhecesse e entendessem as linhas de estudo de casa universidade. “A USP apresentou suas ações, que estão muito mais concentradas no vírus propriamente dito, ao passo que Unicamp optou por uma estruturação mais global dos pontos a serem atacados”, destacou.

Cinco dos 25 pesquisadores do grupo de Campinas compareceram na reunião em São Paulo. A primeira parte do encontro contou com a participação do professor Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, que solicitou das três universidades um programa com propostas, metodologias e objetivos que possam ser encaminhados a algumas fontes de financiamento. Em seguida, houve uma discussão estritamente científica, envolvendo os pesquisadores das três universidades.

“Foi bastante produtivo porque existem aspectos em que vamos precisar de cooperação e outros em que vamos oferecê-la, no que se refere a laboratórios, infraestrutura e metodologias. Ficou claro que nós da Unicamp vamos procurar desenvolver novos larvicidas e mosquicidas, o que não estava contemplado no projeto original da USP. O fato é que temos um desafio enorme, com muitos buracos a serem preenchidos”, disse a pró-reitora da Unicamp.

Ainda de acordo com Gláucia, a pretensão é ter um novo programa subvencionado pela Fapesp, visando o melhor entendimento, principalmente do zika vírus, e também em relação à dengue e chikungunya.

“O cenário ainda está confuso como, por exemplo, o que diz respeito ao diagnóstico da doença. Queremos interferir nesse aspecto, criando um protocolo e uma força-tarefa de identificação. A ciência ainda não possui métodos precisos, até porque no Exterior ainda não se chegou ao mesmo nível de preocupação do Brasil”, reforçou.

Ela ainda destacou que há outros buracos na correlação do vírus com a microencefalia e quanto à imunidade. “Por que uma pessoa enfrenta bem a doença e outra tem uma série de complicações? ”, questinou Gláucia.

Outra observação da pró-reitora da Unicamp é que o grupo daqui possui jovens professores que estão bem treinados e com vontade de resolver os problemas de saúde pública. Eles pretendem criar um laboratório de segurança biológica.