Notícia

Gazeta de Alagoas

Universidades pesquisam sobre biomassa da cana

Publicado em 18 abril 2003

Brasília - (Agência Brasil - ABr) - Um projeto temático elaborado conjuntamente pelas universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e de São Paulo (USP) fornecerá subsídios para que o país dê um passo significativo na geração de energia elétrica, a partir do aproveitamento da biomassa da cana-de-açúcar. Os profissionais envolvidos acreditam que, mesmo aproveitando 80% do potencial possível, em dez anos o setor estará gerando perto de 3 a 4 GW de energia elétrica, o que corresponde a um quarto da produção da hidrelétrica de Itaipu, no Paraná. Orçado em R$ 700 mil, o projeto acaba de ser aprovado para financiamento pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). OITO SUBPROJETOS Ao todo, serão desenvolvidos oito subprojetos - sete deles por pesquisadores da Unicamp -, que analisarão os aspectos técnicos, econômicos, sociais e ambientais relacionados à produção de eletricidade no setor sucroalcooleiro. A coordenação geral dos trabalhos está a cargo dos professores Isaías Macedo (Unicamp) e José Goldemberg (USP). Algumas das pesquisas incluídas no projeto temático já estão em andamento. A originalidade da proposta está justamente na reunião de todas elas, dentro de uma visão geral de planejamento energético. De acordo com Macedo, a idéia é aproveitar a capacidade das três universidades estaduais paulistas - técnicos da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) também auxiliam nos estudos - para estudar um tema de interesse nacional. "Vamos usar a competência dos pesquisadores para pegar um problema real e propor soluções", ressalta. INICIATIVA COM O RACIONAMENTO Segundo o dirigente da Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais (Cori) da Unicamp, Luís Cortez, a iniciativa de englobar os trabalhos surgiu em meio à crise de 2001, que impôs o racionamento de eletricidade à população. Na época, Cortez respondia pela coordenação do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe), que ajudou a traçar as diretrizes do programa. "Nosso objetivo é criar condições para que o setor contribua efetivamente para a ampliação da oferta de energia", afirma. Alguns requisitos para que a meta seja atingida já estão estabelecidos. Ele destaca, porém, que ainda é necessário promover uma maior sinergia entre os diversos processos que envolvem a geração de energia elétrica a partir da biomassa da cana. Isso requer, por exemplo, o emprego de novas tecnologias e sistemas. Hoje, o Brasil colhe algo como 300 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano, o que o torna o maior produtor mundial. Metade deste volume é destinado à produção de açúcar e a outra metade, para a de etanol (álcool etílico). O desafio para os próximos anos está tanto em ampliar a safra quanto em recuperar integralmente a palha no campo. O professor Macedo estima que o aproveitamento desse resíduo implique no custo de US$ 1 por GW de energia gerada, o que torna a fonte competitiva em comparação aos modelos convencionais.