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Universidades e centros de pesquisa são as fontes

Publicado em 20 novembro 2006

Além da competência técnica, é essencial que o pesquisador saiba trabalhar em equipe
O acesso às vagas para cientistas na iniciativa privada se dá, invariavelmente, pela universidade.

"Não fazemos anúncios em jornal. Procuramos cientistas nos grupos de pesquisa que são referência no País, ou nas universidades", explica Luciana Villa Nova, gerente de Inovação Tecnológica e Parcerias da Natura.
A principal dificuldade da empresa, segundo a gerente, é de informação. "É difícil descobrir o que está sendo pesquisado em cada instituição. O programa de distribuição de bolsas da Natura vai servir para melhorar isso", diz.
Com Jean Luc Gesztesi, cientista que coordena um grupo de tecnologia de pele da empresa, foi assim. "Estudei Farmácia na USP e já nessa época fazia estágio em laboratório. De lá acabei indo para a Johnson&Johnson por meio de um convênio entre a empresa e a Unicamp. Voltei para a USP para fazer doutorado e, novamente, optei pela iniciativa privada no final, indo trabalhar na Natura".
Nesse momento, Gesztesi investiga um novo extrato vegetal para combater o envelhecimento da pele.
A principal competência, além da especialização por meio de mestrados e doutorados, é a capacidade de trabalhar em grupo. "Não tem espaço para o 'faz tudo'. Trabalhamos em equipes multidisciplinares e com atenção forte nos prazos", diz Mario Stefani, diretor de P&D da Opto Eletrônica São Carlos.
A empresa mantém convênios com universidades para garantir o preenchimento das vagas, o que não é nada simples. O processo de seleção começa com o acompanhamento dos alunos que se destacam na graduação.
"Oferecemos a vaga no final do curso. Alguns não aceitam. Há ainda instabilidade, principalmente nas empresas de alta tecnologia. Muitos têm medo de serem obrigados a parar a pesquisa no meio", diz.
Embora Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científica da Fapesp, aconselhe os futuros cientistas a terminarem sua formação na academia antes de aceitar uma proposta na iniciativa privada, Stefani diz que há a possibilidade de conciliação.
"Na Opto, em geral, há envolvimento em projetos de longo prazo, com um desenvolvimento que beneficia a empresa e a carreira do funcionário. Dos oito doutores, sete terminaram o doutorado dentro da empresa".
Stefani, que levou 16 anos para especializar-se, diz que o setor acadêmico ainda resiste em reconhecer estudos feitos fora das universidades.
"A Lei de Inovação deu mais segurança ao permitir que o pesquisador vá para a empresa sem perder o vínculo com a instituição de origem. Isso torna a transição mais segura".
Ele faz um alerta importante para interessados: é preciso gostar de estudar. "Estudo mais hoje do que na época da universidade".
(O Estado de SP, 19/11)