Notícia

Gazeta Mercantil

Universidades driblam crise

Publicado em 23 junho 1998

Por Mario de Santi - de Porto Alegre
Particulares reforçam as receitas Enquanto a universidade pública vive uma crise cada dia mais grave, as instituições de ensino particulares adaptam-se rapidamente à nova ordem econômica. Mesmo sofrendo picos de inadimplência de até 25%, elas estão conseguindo reforçar suas receitas realizando atividades compatíveis com a principal. As quatro maiores universidades do Rio Grande do Sul, uma federal e três particulares, por exemplo, oferecem 102 mil vagas e têm juntas um orçamento anual de quase R$ 800 milhões. Se as particulares chegam a obter quase metade das receitas a partir de outras atividades, as federais penam até para manter a grama dos jardins aparada. A rei tora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Wrana Panizzi, reclama de estar confinada a uma camisa-de-força. Não admite incapacidade administrativa e só acredita em recuperação se ganhar autonomia para gerir o orçamento. Livre para agir, a PUC-RS instalou nos últimos dois anos modernos centros de convenções e de diagnósticos por imagem e prepara-se para inaugurar um museu interativo de ciência e tecnologia parecido com os europeus e americanos. "Será um novo ponto turístico", diz o reitor Norberto Rauch. A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), por exemplo, escolheu dois pilares de sustentação das suas atividades: saúde e tecnologia. Tem uma rede de hospitais e desenvolve projetos na área da metalurgia, para pesquisar e produzir novas ligas. (Pág. A-8) UNIVERSIDADES PARTICULARES BUSCAM NOVOS RECURSOS Mario de Santi - de Porto Alegre Com modelo de gestão mais agressivo e autônomo, três instituições gaúchas de ensino investem e driblam a crise Os jardins da universidade particular vicejam mais que os da universidade pública, embora ambas tenham jardineiros e ferramentas de jardinagem. E há motivos para isso. Enquanto as instituições federais (52 em todo o País) continuam a ser geridas conforme um figurino antiquado ou falido, segundo os finais radicais, as entidades particulares adaptaram-se rapidamente aos novos tempos, são mais agressivas em busca de fontes complementares de receitas e conquistam mais espaço. É o que se pode constatar numa comparação entre três grandes universidades particulares gaúchas, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), a Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e a pública Universidade Federal (UFRGS), que atendem, juntas, 102 mil alunos. Assolada por greves regulares nos últimos anos, sem resultado prático, a UFRGS, que consome 90,8% do orçamento anual de R$ 235,9 milhões em pessoal e tem 24,5 mil alunos, perdeu prestígio, verbas, professores (cerca de 600 aposentaram-se ou foram para outras universidades) e qualidade em alguns setores. A reitora da universidade, Wrana Maria Panizzi, reclama que os recursos repassados pelo Estado são escassos, os modelos de financiamento e de gestão estão falidos, a legislação torna os processos extremamente morosos, "colocando a administração numa camisa-de-força". O projeto acadêmico, diz ela, só será viável se houver uma forma de financiamento e um modo de gestão que lhe dê sustentação. Reconhece a urgência em reformular o modelo de gestão da escola pública, mas não admite incapacidade administrativa. Debita os males da universidade pública à falta de autonomia ao corte de verbas. A área econômica federal, por exemplo, cortou 20% das verbas para despesas obrigatórias, inclusive material de consumo. O orçamento para recuperar prédios e equipamentos soma R$ 63 milhões, mas a UFRGS recebeu escassos R$ 52 mil. A salvação, ainda que tardia, poderá vir com a aprovação da emenda constitucional que concede autonomia às universidades federais para gerir recursos e remanejar pessoal. O medo dos administradores é que as universidades sejam obrigadas pelo governo a buscarem mais recursos com parceiros privados. Wrana diz que as instituições públicas não conseguirão funcionar sem recursos públicos. Convênios e parcerias nunca trouxeram mais que 2% do orçamento da UFRGS. Ela cita como exemplo a Universidade de São Paulo (USP), a maior do País, que consegue obter apenas 6%. Se as entidades públicas reclamam dos recursos escassos, as particulares penam para manter-se apenas com receitas de mensalidades. Ligadas a entidades religiosas - a PUC é dos Irmãos Maristas, a Unisinos dos Padres Jesuítas e a Ulbra da Igreja Luterana - todas lutam contra a inadimplência e estendem as negociações o máximo para não perderem alunos. Realizam convênios com financeiras para poder financiar seus alunos. Na PUC, a inadimplência chega a 25% durante o semestre e baixa para 8% nos encerramentos de períodos letivos. Na Unisinos, fica entre 10% e 13%. Embora nenhuma revele números precisos, buscam receita extra em outras atividades. A PUC, com 23,9 mil alunos e orçamento anual próximo de R$ 200 milhões, 65% gastos com pessoal, tem um moderno hospital que responde por quase metade de sua receita. A universidade conta ainda com um centro de diagnóstico por imagem de última geração, outro de eventos, com mais de 7 mil metros quadrados, que mais lembra um shopping center, e está instalando um museu da ciência e tecnologia interativo que pretende ver transformado num forte ponto turístico no campus de Porto Alegre. A Ulbra, que se intitula universidade sem fronteiras, tem 28,6 mil alunos, orçamento de R$ 240 milhões, 58% gastos com pessoal, atua de forma mais agressiva. Além da educação, escolheu dois pilares de sustentação às suas atividades: saúde e tecnologia. O primeiro conta com uma rede de hospitais e está em construção uma nova unidade, com 600 leitos, no campus de Canoas, na Grande Porto Alegre. Na área tecnológica, a instituição de ensino desenvolve projetos no segmento da metalurgia, atuando em pesquisas e na produção de novas ligas, além da fabricação de soros e complementos alimentares. A Ulbra investiu cerca de R$ 30 milhões nos últimos dois anos, utilizando como máquina promocional equipes de esporte. Neste ano, conquistou o título de campeã das ligas masculinas nacionais de vôlei e futebol de salão. Mais discreta, a Unisinos tem 25,3 mil alunos, um orçamento de R$ 102 milhões e, gasta 70% com pessoal. Desenvolve, em conjunto com a Prefeitura de São Leopoldo e a iniciativa privada, um pólo de informática que já atraiu mais de uma dúzia de empresas. O pólo fica junto ao campus, ao lado de um centro esportivo, com pistas e canchas profissionais, onde será construída uma piscina olímpica. Recebeu um financiamento de R$ 32 milhões do BNDES para construir uma biblioteca e outras melhorias no campus. A Unisinos e a Ulbra possuem, ainda emissoras, FM comerciais. MUDANÇA É QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA "O dilema atual da universidade é formar um profissional especialista numa atividade mas capaz de atuar em várias". A sentença da reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Wrana Maria Panizzi, leva em conta um fato incontestável para ela: o mundo mudou e quem não acompanhar a mudança perde o bonde. E, da mesma forma que o novo profissional precisa de atualização permanente obtida em das e vindas à escola depois de formado, a universidade tem que mudar rápido se quiser sobreviver. Apanhada no contrapé, a universidade pública está aturdida no meio de um pesadelo: "Os recursos repassados pelo Estado são poucos, mas não podemos prescindir deles. Os modelos de financiamento e de gestão de que dispomos estão falidos, a legislação torna os processos extremamente morosos, enquanto o orçamento fechado e inflexível coloca a administração numa camisa de força", reclama Wrana. O projeto acadêmico, de acordo com ela, só será viável se houver uma forma de financiamento e um modo de gestão que lhe dê sustentação. Por isso, ela reconhece a necessidade urgente de reformular o modelo de gestão da escola pública, mas não admite que a situação dramática tenha a ver com falta de capacidade administrativa. Acusa a falta de autonomia e o corte de verbas. O governo federal cortou neste ano 20% das verbas para uma série de despesas, inclusive material de consumo. O corte foi sobre o orçamento de 1996, o que o torna mais pesado. Leis perversas dificultam a vida dos administradores. Recursos de convênios, em geral repassados à universidade no final de cada ano e sem tempo para ser empregados, acabam sendo devolvidos ao Ministério da Educação e do Desporto (MEC) porque "o gesso administrativo" diz que todo o superávit tem que ser devolvido. Neste ano, a UFRGS receberá R$ 13 milhões para custeio. A correção desta rubrica, segundo a pró-reitora de planejamento, Maria Alice Lahorgue, foi de 30% entre os anos de 1995 e 1998, enquanto as despesas com tarifas públicas cresceram 82%. Maria Alice sonha com o dia em que poderá ter autonomia para "administrar com eficiência e eficácia", como quer, escapando de uma eterna sina de "demorar para gastar e gastar mal, às vezes, em áreas não prioritárias". Cita como exemplo um novo supercomputador de R$ 6 milhões que recebeu sem poder decidir se era ou não necessário nesse momento. "Precisamos de R$ 63 milhões para concluir e recuperar prédios, instalações e equipamentos e o computador não estava nessa lista. Recebemos o computador e um cheque de R$ 52 mil para investir em todo este ano", diz Wrana. Outros planos e projetos para compras de equipamentos prioritários, no valor de R$ 8,9 milhões, estão parados no MEC há dois anos. A burocracia para se conseguir obter empréstimos tem sido um outro tormento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou recentemente uma linha de crédito de R$ 500 milhões para as universidades, divididos meio a meio entre o setor público e o privado. O banco empresta até 70% do valor de prédios dados em garantia. A UFRGS conseguiu apenas R$ 8 milhões, que ainda não chegaram aos seus cofres. Com liberdade administrativa, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) obteve quatro vezes mais (R$ 32 milhões) para construir um prédio de 30 mil metros quadrados, onde vai ficar sua nova biblioteca, e a Universidade de Passo Fundo conseguiu R$ 22 milhões do BNDES. Wrana diz que vê com uma ponta de inveja os bem cuidados prédios e jardins da universidade particular, mas se pergunta como cuidar de 312 prédios com mais de 300 mil metros quadrados de área construída e 770 laboratórios com o pouco que tem à disposição. Cerca de 90% do orçamento de R$ 235,9 milhões é consumido na folha de pagamentos de seus 9.546 funcionários: 2.111 professores (44% são doutores e 34% mestres), 3.300 técnicos administrativos, que cuidam de 20 mil alunos da graduação e 4.500 da pós-graduação em quatro campi e uma estação experimental, além dos 3.003 (31% da folha) funcionários inativos. Propostas de apoio privado ajudam, mas não resolvem muito. Do mesmo modo, a cobrança de anuidades, mesmo que de baixo valor, tem sido descartada. "Poderia até ser um bom reforço no orçamento, mas teria forte impacto negativo". Os recursos provenientes de 690 pesquisas e convênios em andamento chegarão a algo entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões neste ano, 65% de empresas privadas. (M.S.) UNISINOS INVESTE EM TECNOLOGIA DE PONTA Com um orçamento anual de R$ 102 milhões, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo, tem como filosofia e maior desafio levar qualidade total à sala de aula. Para isso, exige de professores e funcionários um voto de comprometimento com a universidade, investe em tecnologia de ponta e persegue índice zero de absenteísmo de professor em sala de aula. "Na Unisinos todas as aulas são dadas, aqui nós fazemos a turma trabalhar", garante o pró-reitor de administração, Célio Pedro Wolfarth, professor e administrador com experiência em empresas privadas. "Nós fazemos gestão de custos", diz Wolfarth. "Tudo é contabilizado, com transparência. Não podemos esquecer que se a universidade der prejuízo ou apenas empatar, ela estará andando para trás", diz. Da crise do início dos anos 90 nasceu a decisão de executar um plano estratégico, de pensar o ensino desta forma. A palavra chave passou a ser a participação da comunidade universitária nas decisões e comprometimento na ação. A Unisinos mantém o compromisso de reaplicar entre 10% e 12% do orçamento. Envolve-se no momento em quatro grandes projetos. Um deles é um centro de pesquisa e treinamento em logística em parceria com a Ford (que vai erguer uma fábrica de automóveis de US$ 1 bilhão na região metropolitana) e com uma empresa canadense especializada em logística (TDS/JIT). Será o embrião de um novo laboratório de automação e logística. O curso de engenharia mecânica e produção da Unisinos, "tem hoje um excelente laboratório de automação industrial e é conhecido por ter seus alunos empregados antes mesmo da formatura", assegura Wolfarth. Outro projeto é a construção, já iniciada, de uma biblioteca num prédio de 30 mil metros quadrados, habilitada para funcionar 24 horas por dia, no campus de São Leopoldo, a 35 quilômetros de Porto Alegre. "Será setorizada por área de conhecimento, informatizada, com acesso remoto, padrão internacional e conectada ao mundo", conta ele. A nova biblioteca custará R$ 15 milhões e parte dos recursos sairá de um financiamento de R$ 32 milhões concedido pelo BNDES, em parceria com o Ministério da Educação. O terceiro é um pólo de informática, erguido ao lado do campus, em parceria com a prefeitura, governo do estado e companhias privadas. O pólo enquadra-se nos objetivos de estreitar cada vez mais os laços com empresas privadas, formar parcerias e buscar fontes alternativas de financiamento de pesquisas. Wolfarth quer criar incubadoras de empresas, desenvolver projetos nas áreas de automação e gestão empresarial. Por último, está uma rede de alta velocidade (Internet 2), de 155 megabytes, parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Unisinos, PUC-RS, Procergs (estado) e Procempa (Prefeitura de Porto Alegre). Conhecido como Metropoa, a Rede Metropolitana da Grande Porto Alegre vai interligar as seis instituições por fibra ótica implantada pela Companhia Riograndense de Telefones (CRT) e protocolo ATM (Assincronous Transfer Mode), permitindo que imagens e dados sejam transmitidos em velocidades mil vezes mais rápidos que as atuais. Implantada pela Companhia de Jesus (padres Jesuítas) há 29 anos, a Unisinos está instalada num bem cuidado campus de 90 hectares, com 130 mil metros quadrados de área construída. Pouco mais de mil professores (116 doutores e 343 mestres) são responsáveis por 25.260 alunos matriculados em 42 cursos. Na parte mais elevada, sobre o vale, fica o centro esportivo, composto de dois ginásios cobertos é um campo de futebol circundado por uma pista completa de atletismo de piso sintético igual ao utilizado em olimpíadas. Ali foi realizado um meeting internacional de atletismo há dois meses. O próximo investimento, que deve ser iniciado neste ano, será uma piscina olímpica. (M.S.) ULBRA APÓIA-SE EM EDUCAÇÃO E SAÚDE Não foi por acaso que a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), de Canoas (RS), conquistou neste ano os títulos de campeã da Liga Nacional de Vôlei masculino e da Liga Nacional da Futebol de Salão, também masculino. Os administradores da Ulbra assumem abertamente sua vocação empreendedora e, determinados, admitem que querem investir "de forma ousada e corajosa no desenvolvimento do País", segundo seu pró-reitor de administração, Pedro Menegat. Com raízes cristãs, como a PUC e a Unisinos, a Ulbra atua na área de educação do primário à pós-graduação, passando pelos cursos de extensão. "O nosso objetivo não é só oferecer ensino capaz de preparar os alunos para uma sociedade cada vez mais competitiva e exigente: nós formamos empreendedores", diz Menegat. Ao adotar o conceito de universidade sem fronteiras, a Ulbra expandiu-se rapidamente, aproveitando o apoio da Igreja Luterana. Seu sistema educacional conta hoje com 41 mil alunos em todos os níveis, 45 cursos de graduação, 59 de pós-graduação e outros 54 em convênios e parcerias com universidades de Portugal, França, Espanha, Chile, EUA e Argentina. São 18 escolas de Io e 2o graus (uma no Uruguai); seis Universidades no Rio Grande do Sul e cinco, do Instituto Luterano de Ensino Superior, localizadas no Norte e Centro-Oeste do Brasil. No ano que vem, o RS terá mais duas. Todos os gestores das diversas unidades são preparados no campus central, em Canoas. Na era do satélite e da internet, Menegat não vê dificuldades em administrar este conglomerado. Implanta no momento um sistema de vídeo-conferências que irá permitir a "aula interativa "nacional" para sua rede. "Poderemos convidar um grande especialista em alguma matéria de direito, por exemplo, e colocá-lo em todas as nossas salas de aulas ao mesmo tempo à disposição dos alunos", diz. Além da determinação, ele explica que para vencer é preciso capital, administração ousada e tecnologia. Com 25 anos, a Ulbra, mantida pela Comunidade Evangélica Luterana São Paulo (Celsp), é conhecida no Rio Grande do Sul como empreendedora também em outras áreas. Menegat diz que a atuação da universidade apoia-se em três pilares: educação, saúde e tecnologia. Com a área de educação praticamente consolidada, a Ulbra voltou-se em 1993 para o ramo da saúde, colocando em funcionamento o Hospital Luterano, em Porto Alegre. Hoje, o sistema conta com cinco hospitais. Tem ainda dois ambulatórios, uma Central de Clínicas Especializadas e Diagnósticos Complementares. Um novo hospital, o Universitário, com 600 leitos, está sendo construído junto ao campus de Canoas. Em 1995, iniciou as atividades no terceiro pilar, criando o Centro de Desenvolvimento e Tecnologia (CDT), para atuar em consultoria, pesquisa e planejamento no setor público e privado. O CDT transfere tecnologia da universidade para a comunidade e desenvolve trabalhos na área de qualificação profissional. Uma das ações é a pesquisa e desenvolvimento de novas ligas de metais e o desenvolvimento de soros e complementos alimentares. Menegat faz questão de lembrar que a universidade não visa o lucro econômico. O lucro para a Ulbra, segundo ele, segue a tradição de uma escola cristã cujos conceitos se alicerçam na Reforma de Lutero: "É um meio para um fim maior". (M.S.) PUC QUER DUPLICAR NÚMERO DE DOUTORES Após implantar um moderno centro de convenções de 7,4 mil metros quadrados com auditório para três mil pessoas, espaço para exposições, 68 salas, restaurante, diversas lojas e 1.700 vagas de estacionamento, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), prepara para o segundo semestre a inauguração de seu Museu da Ciência e Tecnologia. Instalado num prédio de 14 mil metros quadrados, o museu será interativo, "um lugar para aprender como se comporta a natureza e como funciona a ciência e a técnica, uma maneira lúdica de ensinar", anuncia o reitor Norberto Rauch. Assim como o Centro de Eventos, o Museu da Ciência vai constituir-se numa fonte adicional de receita. Além de se ocupar com ensino, vai tornar-se também um ponto turístico, aberto todos os dias do ano, com horários especiais para grupos de alunos de primeiro e segundo grau, segundo Rauch. Guardadas as proporções, ele será parecido, porque usará técnicas iguais, com o La Villette, de Paris, ou setores do Natural History Museum, de Londres, e com museus americanos. Rauch não conta o quanto foi investido neste último empreendimento. Mas a PUC aplicou, no ano passado, R$ 18 milhões em prédios e equipamentos. Neste ano, a universidade deve investir um pouco menos. Qualificada entre as melhores do País, a PUC-RS quer ser um ponto de referência em várias especialidades. "Trabalhamos há mais de dez anos em busca de excelência na qualificação e titulação de nosso corpo docente", diz Rauch. Uma das metas é duplicar o número de doutores. Para os 290 doutores existentes hoje, há outros 201 em formação e 314 futuros mestres para os 612 existentes. Além da preparação do corpo docente, ele cita a modernização administrativa e a ampliação da infra-estrutura como indispensáveis para desenvolver a universidade com o perfil exigido pelo mercado. Na administração e no ensino, a universidade conta, por exemplo, com uma rede ATM de alta velocidade, com 622 megabytes; uma moderna biblioteca (convencional e eletrônica) automatizada com um sistema desenvolvido em Israel e que está servindo de modelo para a USP e UFRJ; e um laboratório de manufatura integrada (CIM ou Computer Integrated Manufacturing) à disposição dos alunos de engenharia mecânica e mecatrônica. Ali, eles podem aprender na prática a programação das etapas de um processo industrial automatizado numa linha de montagem especialmente preparada. A linha industrial conta com cinco robôs e custou US$ 600 mil. Com um orçamento anual de quase R$ 200 milhões, a PUC-RS gasta 65% com pessoal, preparado, segundo Rauch, para entender o novo mundo. Quase metade do orçamento vem de um moderno hospital de 563 leitos onde o maior ponto de referência é o recém inaugurado centro de diagnóstico por imagem. Numa área de 5.500 metros quadrados, são feitos mais de 30 mil exames por mês. A tecnologia de última geração na área médica, como os equipamentos de ressonância magnética e tomografia computadorizada, segundo Rauch, permitem compor imagens possibilitando a avaliação dinâmica de estruturas como a aorta, coração e vasos cranianos. "Alguma outra instituição pode ter igual, mas não tem melhor", assegura. Também com tecnologia atual, a PUC-RS realiza em caráter experimental cursos de graduação à distância, pela internet. Uma espécie de "universidade virtual ou campus global". Com 253 mil metros quadrados de área construída, 50 cursos de graduação e 23.871 alunos espalhados por dois campi (Porto Alegre e Uruguaiana), "a universidade tem uma estrutura administrativa profissional, enxuta e afinada com as novas técnicas em administração de empresas". Reconhecida como universidade há 50 anos, a PUC-RS é uma das mais antigas do País. Sua primeira faculdade, no entanto, foi implantada em 1931. (M.S.)