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Universidades do Vale investem em pesquisa

Publicado em 10 junho 2005

Por Chico Pereira, de São José dos Campos

Ensino Superior
Instituições de ensino como Unitau e Univap ampliam atuação de centros destinados a estudos inovadores

A face mais visível das universidades são os cursos de graduação e os serviços prestados à comunidade, principalmente na área de saúde. As instituições universitárias, porém, desenvolvem pesquisas que nem sempre são de conhecimento público, cujos resultados são benéficos para toda a sociedade.
O Vale do Paraíba concentra diversas escolas de ensino superior particulares e públicas, mas as três maiores universidades da região que trabalham com pesquisas estão em São José dos Campos, Taubaté e Lorena.
A maior delas é a Unitau (Universidade de Taubaté), em Taubaté, seguida pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos, e a Unisal (Universidade Salesiana), em Lorena. Juntas, elas reúnem 32,5 mil alunos em cursos de graduação e pós-graduação.
Entre os trabalhos científicos da Unitau estão os sobre algas nocivas no litoral que podem comprometer a maricultura (cultivo de mexilhão e marisco) e estudos sobre doenças periodontais (relativas a gengivas) na população regional.
A univerisade desenvolve também um novo sistema de despoluição de esgoto doméstico a partir de raízes de plantas.
Na Univap, entre outros setores, há pesquisas no campo da engenharia biomédica, área em que a instituição quer ser uma das especialistas em todo o país.

Modelo - A universidade criou o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento o qual concentra todas as pesquisas da instituição. O projeto do IP&D foi inspirado no modelo norte-americano do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), considerado um dos principais centros de pesquisas do mundo.
Já na Unisal, desenvolve-se, por exemplo, um trabalho científico voltado para o tratamento de doentes mentais com a ajuda da pintura. O estudo integra o curso de psicologia da universidade.
No curso de história da mesma instituição, alunos pesquisam atualmente os caminhos da Estrada Real na região.
A estrada foi construída no século 18 e serviu para escoar o ouro retirado de Minas Gerais para Paraty, no litoral do estado do Rio, onde era embarcado com destino a Portugal.

Visão - Para a pró-reitora de Pesquisa e Extensão da Unitau, Maria Júlia Ferreira Xavier, a universidade que não desenvolve pesquisas não pode ser considerada como tal. "No máximo é um centro universitário que oferece curso superior".
A pró-reitora afirmou que a Unitau procura estimular o desenvolvimento de trabalhos científicos com recursos próprios e financiados por organismos públicos como a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e Finep (Financiamento de Estudos e Projetos).
O diretor do IP&D, Marcos Tadeu Pacheco, afirmou que as universidades particulares não dispõem dos mesmos recursos que as instituições públicas, por isso, elas precisam investir em áreas específicas. "A Univap optou por este caminho e definiu que o setor de engenharia biomédica é uma das prioridades da instituição. Já temos cursos de pós-graduação bem conceituados, mas queremos ser referência no país".

Públicas - Além dessas 3 instituições, a região abriga ainda escolas públicas bastantes conhecidas, como as faculdades de Odontologia de São José dos Campos e a de Engenharia de Guaratinguetá (ambas ligadas à Universidade Estadual Paulista), além da de Química, em Lorena (integrante da Universidade de São Paulo, que também desenvolvem pesquisas.
Além delas, há ainda o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), mantido pela Aeronáutica. O ITA foi o responsável, entre outros projetos, pelo avião Bandeirante, que motivou o surgimento da indústria aeronáutica brasileira.