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Envolverde

Universidades desenvolvem plataforma de educação interativa

Publicado em 01 setembro 2009

Por Rodrigo Martins

Uma plataforma de internet voltada para a educação que integra provas online, vídeo-aulas, bate-papo e até mesmo áudio conferência em terceira dimensão, essa é a proposta do Projeto Aprendizado Eletrônico (AE) desenvolvido por diversas universidades do estado de São Paulo, entre elas a USP. O AE faz parte de um programa maior o Tidia - Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada, projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O Tidia é um programa mais amplo integrado por três frentes de projeto e visa o desenvolvimento da internet avançados, ou seja, a nova geração da internet. A primeira é o "Kyatera", voltado para a construção de uma rede de alta velocidade voltado para pesquisas. O segundo é o próprio AE. O terceiro é a estruturação da "Incubadora Virtual de Conteúdos Digitais" que objetiva a criação cooperativa de conteúdos digitais abertos.

O AE, como comenta do coordenador do projeto Tidia-Ae, o professor Wilson Vicente Ruggiero da Escola Politécnica (Poli) da USP, "é um projeto de pesquisa colaborativo.(…) É um trabalho diferente pois além de haver a pesquisa individual, que está ligada ao tema (do AE), há ainda o compartilhamento do projeto, que torna o desafio muito grande."

Resumidamente, o AE funciona como uma plataforma voltada para alunos e professores visando dar suporte ao conteúdo aprendido em aula presencial ou à distância. Cada pessoa, pode criar um grupo de atividade personalizado que pode conter desde a edição de textos colaborativos até a integração de vídeos do Youtube, passando por ferramentas como chat e, no caso dos professores da USP, integração com os sistemas de graduação e pós-graduação, o Júpiter e o Fênix.

Versão Especial para a USP

A página do ambiente AE está no ar desde o início deste ano, mas recentemente passou por uma reformulação que inseriu novas ferramentas que mudou o projeto visual do site. O endereço do novo site é http://agora.tidia-ae.usp.br/portal.

Entre as inovações esta a Áudio Conferência em Realidade Aumentada, a AC 3D. Imagine, por exemplo, uma mesa de reuniões circular. A maneira que você escuta uma pessoa que está do seu lado direito é diferente do que seria se ela estivesse à sua esquerda. Essa é a proposta do AC 3D, dar uma noção espacial às conversas on-line de áudio.

Como explica Romeo Bulla Jr., desenvolvedor do projeto e pesquisador do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da Poli, essa técnica pode aumentar a capacidade de aprendizado: "isso está ligado a uma capacidade do nosso cérebro de conseguir focar o áudio. (…) Alguns autores chegam a dizer que isso pode auxiliar no processo de memorização e compreensão." A intenção da inserção dessa ferramenta no AE é justamente verificar a veracidade dessa hipótese.

Outro aplicativo que deve ser inserido em breve no AE é o NetLab, uma espécie de laboratório virtual. "O NetLab é uma ferramenta de laboratórios remotos que objetiva substituir ou ao menos aproximar a experiência virtual de uma experiência real" esclarece o pesquisador Alan Hummel, também do Larc. A partir de uma experiência programada pelo professor, o aluno consegue acessar a distância uma outra máquina e alterar configurações do equipamento. Futuramente, o NetLab poderá auxiliar até em experimentos fora da área da informática.

Outras frentes de trabalho

Além da USP, o AE reúne seis universidades do estado de São Paulo: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Bandeirante (Uniban). Dentro da USP as unidades que participam são a Poli, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos (ICMC), o Instituto de Matemática e Estatística (IME), o Instituto de Física (IF) e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.

O Tidia-Ae se divide em quatro núcleos de pesquisas com sedes em São Paulo, São Carlos, São José dos Campos e Campinas. O segundo núcleo do projeto Tidia-Ae ligado à USP, está dentro do campus São Carlos e é coordenado pela professora Maria da Graça Campos Pimentel, coordenadora do Laboratório Intermídia do ICMC. O núcleo envolve ainda outros grupos da USP, UFSCar e Unesp em tarefas de pesquisa e desenvolvimento. Como a própria professora explica os projetos desenvolvidos neste núcleo estão ligados ao "desenvolvimento de ferramentas de comunicação síncrona", ou seja, ferramentas que consigam unir numa mesma interface bate-papo, vídeo-conferência e até mesmo uma espécie de "lousa virtual", o whiteboard.

"Digae" (Distributed Gathering Environment) e "Reface" (Remote Face-to-Face Experience) são capazes de unir tudo isso e transformar uma aula via internet, numa experiência muito mais interativa e assim complementar as tradicionais ferramentas de comunicação. Outra ferramenta que utiliza recursos de comunicação síncrona é a "Viva", que tem por objetivo apoiar a realização de bancas com membros remotos, e já foi utilizada em várias bancas na UFSCar e no ICMC.

"O projeto AE é importante por dois motivos: para a formação de recursos humanos e para o apoio ao ensino presencial e a distância", destaca a professora Maria da Graça.

(Envolverde/Agência USP)