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Universidades de SP fixam novas métricas de desempenho acadêmico

Publicado em 26 outubro 2019

Proposta é criar um sistema digital de uso comum, mantido pelos escritórios responsáveis pela gestão de indicadores

Representantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP) se uniram para desenvolver novas métricas de avaliação de desempenho e comparações internacionais. A ideia é criar um sistema digital de uso comum, mantido pelos escritórios responsáveis pela gestão de indicadores das três instituições.

O sistema poderá avaliar com maior precisão o desempenho e o impacto socioeconômico, cultural e ambiental das universidades públicas. A cooperação busca tornar as métricas interoperáveis, com auditoria prévia dos parâmetros enviados para comparações internacionais.

A iniciativa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dentro do projeto “Indicadores de desempenho nas universidades estaduais paulistas”, vinculado ao Programa de Pesquisa em Políticas Públicas e renovado até o ano de 2022.

Sob liderança do professor da USP Jacques Marcovitch e do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), o estudo tem como parceira a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado.

Iniciativas

A USP, por exemplo, já implantou um novo escritório para a gestão de indicadores e está promovendo mudanças nos sistemas tecnológicos de captação e disseminação de dados. A Unicamp está reformando estruturas internas, com o objetivo de gerar dados que possam ser usados em seu planejamento estratégico. A Unesp implementa um plano multidisciplinar e de longo prazo para analisar as relações possíveis entre o desempenho acadêmico e as tendências evidenciadas pelos rankings.

“É nossa responsabilidade, como universidades importantes, responder de maneira fundamentada ao desafio de identificar indicadores de relevância e garantir qualidade, levando em conta a heterogeneidade das universidades, sua influência sobre a cidade, o estado e o país”, afirmou à Agência Fapesp Marco Antônio Zago, presidente da Fundação, na abertura do II Fórum “Indicadores de Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais: Impactos para a Sociedade”, em 18 de outubro.

O encontro também foi palco para o lançamento do livro “Repensar a Universidade II: Impactos para a Sociedade”, segunda publicação do projeto, com artigos sobre avaliação de desempenho nas instituições e que fixa novas métricas de desempenho para ampliar sua presença em comparações internacionais com desdobramentos que se cumprirão até 2022.

“É importante mostrar para a sociedade como um todo o impacto socioeconômico das universidades. Isso só é possível comunicando dados e mostrando resultados”, disse Marcelo Knobel, presidente do Cruesp e reitor da Unicamp, à Agência Fapesp.

Produção científica

Respondendo por 33,8% de toda a produção científica nacional, o complexo estadual de ensino superior e pesquisa de São Paulo pretende agregar ao projeto dados referentes às universidades federais, que também estão abrindo escritórios de métricas (e-dados). Estavam presentes no fórum reitores e representantes da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Nenhuma universidade evolui, de fato, sem ser comparada a outras na aferição de seus avanços. É preciso ser coletivo e promover um movimento em favor da qualidade das instituições de ensino superior no Brasil”, salientou à Agência Fapesp o professor da USP Jacques Marcovitch. O docente ressaltou a iniciativa como um esforço inédito no Brasil para construir uma política pública em busca de melhores índices de excelência.

Em março de 2020, será oferecido um curso sobre indicadores e métricas associados ao monitoramento do desempenho acadêmico e comparações internacionais. Entre as próximas ações do projeto está o foco na digitalização.

O papel de curador das universidades foi ressaltado na palestra de Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento da sociedade civil Todos Pela Educação. A gestora defendeu a necessidade da universidade não só na formação de professores, mas também nos resultados de pesquisa necessários para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

“Precisamos sair da retórica, fortalecendo pontes com a universidade para, a partir da produção acadêmica, auxiliar os governos a produzir soluções prementes na educação. Assim, será possível construir um país justo no campo da educação, mas com um reflexo muito forte na economia, na distribuição de renda e na garantia de outros direitos”, avaliou.