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Universidades de São Paulo e da França investem em colaboração internacional

Publicado em 26 novembro 2019

Evento realizado em cidades francesas debate ampliação da qualidade dos estudos e competitividade das instituições de ensino

Termina na próxima quarta-feira (27) a programação da Fapesp Week France, simpósio em cidades francesas que reúne especialistas de diversas áreas, graças a uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e as universidades de Lyon e de Paris. O evento conta com a participação de vários pesquisadores, que buscam ampliar a qualidade dos estudos e a competitividade das instituições de ensino.

Vale destacar que universidades de todo o mundo adotam planos estratégicos de internacionalização que combinam não só a mobilidade de estudantes e professores, como também a colaboração em projetos de pesquisa.

“Recentemente, fizemos uma análise de nossas parcerias, destacando forças e fraquezas, e identificamos que, embora tivéssemos muitos acordos, poucos eram realmente ativos. Passamos, então, a focar em parcerias com poucas universidades, mas com atuação importante e nas áreas de pesquisa em que somos fortes”, salientou Stéphane Riou, pró-reitor de Pesquisa da Université Jean Monet Saint-Étienne, durante mesa-redonda sobre estratégias para a colaboração internacional realizada durante a Fapesp Week France.

Segundo o pró-reitor, apesar dos cerca de 170 acordos de colaboração da universidade francesa, apenas 25 eram realmente ativos. “Fizemos um trabalho para explicar à comunidade científica a revisão de nossa estratégia e garantimos investimento em novas colaborações”, afirmou o gestor à Agência Fapesp.

Unicamp

Diferentemente da Université Jean Monet Saint-Étienne, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) não define áreas de pesquisa prioritárias ao prospectar parcerias, pois a estratégia de colaboração internacional está centrada na escolha da instituição parceira.

“Nossa estratégia está em fazer parcerias com universidades que tenham o mesmo tamanho e o mesmo espírito em fazer pesquisa. É dessa maneira que formamos parcerias com universidades da França e de outros países. Para isso, investimos em eventos que coloquem pesquisadores em contato. A expectativa é que um ou dois anos depois desses encontros surjam novas parcerias de qualidade”, ressaltou Munir Skaf, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, à Agência Fapesp.

O representante da Unicamp apontou os 14 Centros de Pesquisa em Engenharia (CPEs) constituídos pela Fapesp em parceria com empresas e sede em universidades e institutos de pesquisa como modelo de colaboração. Nos CPEs, os projetos têm duração de até dez anos e a divisão de recursos é feita da seguinte maneira: a Fapesp entra com uma parte, a empresa parceira com outra parte equivalente e as universidades entram com duas partes (custeio de instalações físicas e recursos humanos).

Na Université Claude Bernard Lyon, a inovação é o foco, destaca Anne Giroir-Fendler, pró-reitora de Mobilidade Internacional da instituição. “Somos a universidade mais inovadora da França, pois, proporcionalmente, temos o maior número de patentes do país. Nosso objetivo é desenvolver colaborações de longo prazo com universidades dentro e fora da França. Para isso, também programamos encontros e visitas de pesquisadores estrangeiros aos nossos laboratórios”, disse à Agência Fapesp.

USP e Unesp

Representantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) apontaram a preferência de suas instituições por acordos de longa duração.

Na USP, por exemplo, as parcerias com universidades da França têm mostrado resultados positivos para os dois lados. “Os artigos publicados por cientistas da USP têm, na média, impacto 1,22. Mas, naqueles com coautoria de pesquisadores franceses, esse índice aumenta para 5,70. Como se vê, há uma produção científica conjunta importante, sólida e muito eficiente”, disse Carlos Gilberto Carlotti Jr., pró-reitor de Pós-Graduação da USP, à Agência Fapesp.

De acordo com o pró-reitor, nos últimos três anos, foram publicados 2.192 trabalhos com autores da USP e da França, o que representa 9,1% da produção acadêmica da universidade com coautoria internacional. Desse total, 239 (10%) têm coautoria com professores da Universidade de Lyon.

Na Unesp, nos últimos dez anos, foi registrado um crescimento de 5% para 37% da parceria internacional nas pesquisas realizadas. Para Carlos Graeff, pró-reitor de Pesquisa da instituição, o fato se deve ao plano estratégico criado para incentivar a internacionalização.

Intercâmbio

Há ainda um interesse na mobilidade de estudantes e professores. Guillaume Rousset, pró-reitor de Relações Internacionais da Université Jean Moulin Lyon 3, onde está sendo realizada a Fapesp Week France, enfatizou as principais ferramentas para o intercâmbio de estudantes e de professores, como o Programa Offshore.

“Nesse programa, é possível que o estudante permaneça em São Paulo e a mobilidade é do professor. Isso é interessante para os estudantes brasileiros, que ganham dupla diplomação, e para as universidades parceiras, pois se trata de uma ferramenta para a competitividade”, disse à Agência Fapesp.

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