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Universidade realiza diagnóstico geoambiental inédito para Guarulhos

Publicado em 06 novembro 2009

Guarulhos cresceu e a falta de conhecimento sobre o espaço onde a população vive constitui um dos fatores que tem concorrido para provocar sérios impactos ambientais. Na expansão constante da mancha urbana em direção à periferia, a cidade consome seus recursos naturais, tecido verde, solo, água, ar e a própria memória do sítio primitivo. No município, que possui 320 km² de extensão territorial, 186 km² (58%) já estão ocupados por áreas urbanas; e 134 km² (42%) correspondem a uso do solo rural, ainda com áreas de mata preservada.

Diante desse cenário, a Universidade Guarulhos (UNG), através do Laboratório de Geoprocessamento, realizou, ao longo dos anos de 2006 a 2009, o Projeto "Bases geoambientais para um sistema de informações ambientais do município de Guarulhos". O projeto é inédito por considerar de forma combinada as condições geoambientais da região, ou seja, o relevo, os solos, as rochas e as águas de superfície.

Durante três anos, um grupo de pesquisadores do Laboratório de Geoprocessamento da Universidade, coordenado por Antonio Manoel de Oliveira, desenvolveu o diagnóstico geoambiental da região de Guarulhos e seu entorno. Foi possível identificar as principais unidades geoambientais presentes, ressaltando suas potencialidades e limitações frente à intervenção humana e apontando as vocações de cada terreno para o uso do solo urbano e os problemas ambientais decorrentes de uma intervenção desordenada no território.

Com o resultado, os pesquisadores esperam contribuir para o desenvolvimento sustentável regional através de documento que possa subsidiar um planejamento eficiente e ordenado do território.

Ainda são poucos os municípios brasileiros que têm pleno conhecimento das condições geoambientais de sua extensão. Com os resultados desta pesquisa, Guarulhos alcança um nível de autoconhecimento que permite a prática de uma gestão ambiental mais adequada para proporcionar bem-estar à sua população. Em outras palavras, o conhecimento adquirido, ao possibilitar a previsão do comportamento dos terrenos frente ao uso urbano do solo, permite realizar a prevenção de acidentes e eventos indesejáveis, como erosão e inundações.

O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Estado de São Paulo - Fapesp e teve a colaboração da Prefeitura Municipal de Guarulhos (PMG), do Instituto Florestal e da Empresa Metropolitana de Urbanização de São Paulo.

Além de Guarulhos, o Projeto analisou a situação do uso do solo e o mapa termal da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo (RBCV), situando Guarulhos nesse quadro regional, tendo em vista a preocupação sobre a perda acelerada dos serviços ambientais da RBCV.

Auxílio para as políticas públicas

Este conhecimento acumulado e abrangente auxiliará diretamente no estabelecimento de políticas públicas para a recuperação de solos em áreas degradadas, sobre a qualidade de corpos dágua, o licenciamento ambiental e outras ações preventivas e corretivas de passivos ambientais.

De acordo com o professor Antonio Manoel de Oliveira, são inúmeras as aplicações dos estudos que auxiliam em ações diretas de preservação e conservação. "Em 2008, ao divulgarmos a primeira etapa dessa pesquisa, que identificou as ilhas de calor em Guarulhos e suas implicações, a Secretaria do Meio Ambiente da cidade tomou a iniciativa de criar um Programa inédito para combater o problema, ao lançar o PIV - Programa Ilhas Verdes. A iniciativa virou Projeto de Lei em Guarulhos", salienta o pesquisador.

O bom resultado dessa iniciativa motivou a criação, pela Prefeitura, de um grupo de assessoria denominado "Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas", tendo em vista explorar os resultados obtidos nesta pesquisa e em outras para aplicação prática.

A pesquisa científica do Laboratório de Geoprocessamentos da UNG além de gerar conhecimentos para a gestão ambiental do território guarulhense, irá culminar na publicação de um Atlas Geoambiental do Município e, ainda, determinar temas de pesquisas para os diversos cursos da Universidade, em especial para o seu curso de mestrado em Análise Geoambiental.