Notícia

Jornal da Unesp

Universidade na globalização

Publicado em 01 janeiro 2014

Por Vanderlan da Silva Bolzani

Ao ser convidada para escrever este texto sobre a Agência Unesp de Inovação (AUIN) e o que ela representa para a Unesp nestes 5 anos de trajetória, não poderia deixar de registrar algumas considerações sobre o papel da universidade num mundo global e complexo, cujas mudanças culturais, econômicas e sociais vêm ocorrendo muito rapidamente, impondo enormes desafios neste século para todos os países e especialmente para o modo com que transformam conhecimentos em desenvolvimento econômico e social sustentável.

Uma mudança marcante da globalização foi o deslocamento do eixo econômico do mundo ocidental, iniciado pela dominação colonial europeia desde o século XV, seguido pelo desenvolvimento norte-americano em todos os setores. Os BRICs, nome dado pelo economista britânico Jim O’Neill em 2001 às economias emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China, além da África do Sul, incorporada em 2010, são um bom exemplo da velocidade com que as economias globais estão ditando as tendências deste século. [...]

Neste cenário novo lotado de desafios, o papel das universidades para todos os países, e principalmente para os emergentes e emergidos, é imperativo. Ao longo do tempo, a missão da universidade evoluiu de um foco centrado no ensino, com o surgimento da universidade no século XI, para um foco no ensino e na pesquisa a partir do século XIX, e recentemente para um foco na participação direta no processo de desenvolvimento econômico, social e cultural.

[...] A sobrevivência da humanidade está proporcionalmente associada ao avanço do conhecimento e de como esse saber pode impulsionar a competitividade, tornando-se um instrumento robusto de riqueza e poder das nações. Nesta ótica, a informação e o conhecimento A Equipamento de fibra óptica em Araraquara: Agência protege conhecimento gerado na pesquisa passam a alicerçar todo o capital, inclusive no campo das finanças, exigindo alterações no modo de gestão e de criação do trabalho intelectual e científico, o que caracteriza hoje a “sociedade do conhecimento”.

[...] Em países como o Brasil, as universidades com produção de conhecimento de reconhecida excelência e de impacto poderão contribuir de forma marcante para a solução de problemas de ordem tecnológica no setor empresarial e/ ou de políticas públicas.

A Lei de Inovação Tecnológica, criada em 2004 e regulamentada em 2005, normatizou uma resolução para proteger o conhecimento gerado pelas pesquisas nas universidades federais, estaduais e municipais e institutos de pesquisas, bem como para a criação de empresas de base tecnológica por pesquisadores e alunos e para o uso dos laboratórios e demais recursos de infraestrutura por parceiros empresariais. [...] A Lei também instituiu a criação dos Núcleos de Inovação Tecnológica – NITs e a obrigatoriedade de planos de políticas de inovação. [...]

Nos últimos 12 anos, a Unesp vivencia um período importante de sua história e o resultado é uma Universidade mais madura, ranqueada nos principais índices nacionais e internacionais e, principalmente, consciente da sua missão de participar do desenvolvimento nacional dentro do processo de globalização já brevemente discutido. A separação das Pró-Reitorias de Pesquisa e de Pós-Graduação e, mais adiante, a criação da AUIN (Resolução Unesp n.º 41, de 05/06/2009) são exemplos das mudanças recentes na Unesp, que almeja destaque entre as universidades de classe mundial. Completando 5 anos de existência, a AUIN é a mascote das Agências de Inovação das universidades estaduais paulistas e já contabiliza uma página expressiva de ações para a Unesp, como mostrado no último ranking RUF, elaborado pela Folha de S. Paulo, sobre universidades brasileiras. A inovação e a transferência de conhecimento da Unesp ficou com a 7ª posição no ranking, estando abaixo apenas do quesito pesquisa (6ª posição).

Institucionalizada para gerir a propriedade intelectual da Unesp de acordo com os preceitos da Lei de Inovação Tecnológica, a AUIN também vem oferecendo uma série de serviços de apoio aos pesquisadores e estudantes, sobretudo no que se refere a convênios com empresas, rodada de negócios, aproximação com setores estratégicos de governo, cursos de empreendedorismo para alunos regulares, funcionários e docentes, apoio a micro e pequenas empresas.

Os indicadores numéricos capitalizados pela AUIN nesta fase inicial de consolidação são motivos de contentamento para quem participou de sua criação. Em 37 anos de existência, a Unesp registrou 152 depósitos de patentes, dos quais 77 foram feitos pela AUIN, neste curto tempo de sua criação. É neste período também que a Unesp registra patentes no exterior (PCTs), num total de 18, sendo 8 financiadas pela Fapesp, 5 pela Unesp e 5 por empresas cotitulares em tecnologias. Aqui, a AUIN é grata ao plano de apoio Papi-Fapesp, editado para ajudar os NITs a darem um salto de qualidade, objetivando maior visibilidade internacional. O número de interações com a iniciativa privada vem aumentando exponencialmente se considerarmos os dados anteriores à AUIN. Foram 71 acordos de confidencialidade, transferência de material, licenciamentos, desenvolvimentos colaborativos e gestão compartilhada de propriedade intelectual firmados entre 1/1/2009 e 31/12/2013.

Um dos desafios dos NITs no país, e especialmente da AUIN-Unesp, é desenvolver a cultura de inovação no meio universitário e criar mecanismos ágeis para levar as pesquisas da academia para dentro das empresas, transformando-as em verdadeiros motores da inovação tecnológica no país.

Não poderia finalizar este texto sem mencionar pessoas que deixaram suas marcas na edificação da Unesp e foram decisivas para a AUIN estar comemorando 5 anos. Aos reitores Marcos Macari e Herman Jacobus Cornelis Voorwald e ao ex-pró-reitor de Pesquisa José Arana Varela, com quem tive o privilégio de trabalhar no projeto de sua criação, a AUIN agradece.

Vanderlan da Silva Bolzani é professora titular do Instituto de Química, Câmpus de Araraquara, e diretora da AUIN.

A íntegra deste artigo está disponível no “Debate acadêmico” do Portal Unesp, no endereço <http://goo.gl/zshd3Y>.